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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

As cores do mundo de Lúcia - de Jorge Fernando dos Santos


(Neide Medeiros Santos – Crítica literária – FNLIJ/PB)

Saiba que os poetas como os cegos
podem ver na escuridão.
(Edu Lobo/Chico Buarque de Holanda. Choro Bandido)


A temática dos excluídos na literatura infantil vem crescendo nos últimos anos. No Brasil, encontramos muitos livros de literatura infantil que tratam de aspectos ligados àqueles que vivem isolados da sociedade por algum tipo de deficiência ou discriminação. Nos livros para o público infantojuvenil, encontramos assuntos que transitam da marginalidade à intolerância racial, Os livros “Marginal à esquerda”, de Ângela Lago, “Carvoeirinhos” de Roger Mello, “Sapato Alto” de Lygia Bojunga Nunes abordam temas modernos que antes não apareciam na literatura infantil brasileira.
Daniel Munduruku, com muita propriedade, procura redimir a figura do índio; Rogério Andrade Barbosa valoriza a cultura africana com histórias que remontam aos países africanos. Luciana Savaget, com uma série de livros sobre os árabes, traz...

(para ler o restante do texto, clique aqui e conheça o blog Nas trilhas da leitura, da Dra. Neide Medeiros Santos, excelente!)

sábado, 6 de novembro de 2010

PERIGO! Conselho Nacional de Educação CENSURA Lobato!


Quem paga a música escolhe a dança?

Marisa Lajolo*


“Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato, está em pauta e é bom que esteja, pois é um livro maravilhoso.

Narra as aventuras da turma do sítio de Dona Benta primeiro às voltas com a bicharada da floresta próxima e, depois, com uma comissão do governo encarregada de caçar um rinoceronte fugido de um circo. Nos dois episódios prevalecem o respeito ao leitor, a visão crítica da realidade, o humor fino e inteligente.

Na primeira narrativa, a da caçada da onça, as armas das crianças são improvisadas e na hora agá não funcionam. É apenas graças à esperteza e inventividade dos meninos que eles conseguem matar a onça e arrastá-la até a casa do sítio. A morte da onça provoca revolta nos bichos da floresta e eles planejam vingança numa assembleia muito divertida: felinos ferozes invadem o sítio e – de novo – é apenas graças à inventividade e esperteza das crianças (particularmente de Emília) que as pessoas escapam de virar comida de onça.

Na segunda narrativa, a fuga de um rinoceronte de um circo e seu refúgio no sítio de dona Benta leva para lá a Comissão que o governo encarregou de lidar com a questão. Os moradores do sítio desmascaram a corrupção e o corpo mole da comissão, aliam-se ao animal cioso da liberdade conquistada e espantam seus proprietários. E, batizado Quindim, o rinoceronte fica para sempre incorporado às aventuras dos picapauzinhos.

Estas histórias constituem o enredo do livro que parecer recente do Conselho Nacional de Educação (CNE), a partir de denúncia recebida, quer proibir de integrar acervos com os quais programas governamentais compram livros para bibliotecas escolares . O CNE acredita que o livro veicula conteúdo racista e preconceituoso e que os professores não têm competência para lidar com tais questões. Os argumentos que fundamentam as acusações de racismo e preconceito são expressões pelas quais Tia Nastácia é referida no livro, bem como a menção à África como lugar de origem de animais ferozes.

Sabe-se hoje que diferentes leitores interpretam um mesmo texto de maneiras diferentes. Uns podem morrer de medo de uma cena que outros acham engraçada. Alguns podem sentir-se profundamente tocados por passagens que deixam outros impassíveis. Para ficar num exemplo brasileiro já clássico, uns acham que Capitu (D. Casmurro, Machado de Assis) traiu mesmo o marido, e outros acham que não traiu, que o adultério foi fruto da mente de Bentinho. Outros ainda acham que Bentinho é que namorou Escobar ... !

É um grande avanço nos estudos literários esta noção mais aberta do que se passa na cabeça do leitor quando seus olhos estão num livro. Ela se fundamenta no pressuposto segundo o qual, dependendo da vida que teve e que tem, daquilo em que acredita ou desacredita, da situação na qual lê o que lê, cada um entende uma história de um jeito. Mas essa liberdade do leitor vive sofrendo atropelamentos. De vez em quando, educadores de todas as instâncias – da sala de aula ao Ministério de Educação – manifestam desconfiança da capacidade de os leitores se posicionarem de forma correta face ao que lêem.

Infelizmente, estamos vivendo um desses momentos.

Como os antigos diziam que quem paga a música escolhe a dança, talvez se acredite hoje ser correto que quem paga o livro escolha a leitura que dele se vai fazer. A situação atual tem sua (triste) caricatura no lobo de Chapeuzinho Vermelho que não é mais abatido pelos caçadores, e pela dona Chica-ca que não mais atira um pau no gato-to. Muda-se o final da história e re-escreve-se a letra da música porque se acredita que leitores e ouvintes sairão dos livros e das canções abatendo lobos e caindo de pau em bichanos. Trata-se de uma ideia pobre, precária e incorreta que além de considerar as crianças como tontas, desconsidera a função simbólica da cultura. Para ficar em um exemplo clássico, a psicanálise e os estudos literários ensinam que a madrasta malvada de contos de fada não desenvolve hostilidade contra a nova mulher do papai, mas – ao contrário – pode ajudar a criança a não se sentir muito culpada nos momentos em que odeia a mamãe, verdadeira ou adotiva...

Não deixa de ser curioso notar que esta pasteurização pretendida para os livros infantis e juvenis coincide com o lamento geral – de novo, da sala de aula ao Ministério da Educação – pela precariedade da leitura praticada na sociedade brasileira. Mas, como quem tem caneta de assinar cheques e de encaminhar leis tem o poder de veto, ao invés de refletir e discutir, a autoridade veta. E veta porque, no melhor dos casos e muitas vezes com a melhor das intenções, estende suas reações a certos livros a um numeroso e anônimo universo de leitores.

No caso deste veto a “Caçadas de Pedrinho”, a Conselheira Relatora Nilma Lino Gomes acolhe denúncia de Antonio Gomes da Costa Neto que entende como manifestação de preconceito e intolerância "de maneira mais específica a personagem feminina e negra Tia Anastácia e as referências aos personagens animais tais como urubu, macaco e feras africanas; (...) aponta menção revestida de estereotipia ao negro e ao universo africano, que se repete em vários trechos do livro analisado e exige da editora responsável pela publicação a inserção no texto de apresentação de uma nota explicativa e de esclarecimentos ao leitor sobre os estudos atuais e críticos que discutam a presença de estereótipos na literatura".

Independentemente do imenso equívoco em que, de meu ponto de vista, incorrem o denunciante e o CNE que aprova por unanimidade o parecer da relatora, o episódio torna-se assustador pelo que endossa, anuncia e recomenda de patrulhamento da leitura na escola brasileira. A nota exigida transforma livros em produtos de botica, que devem circular acompanhados de bula com instruções de uso.

O que a nota exigida deve explicar? o que significa esclarecer ao leitor sobre os estudos atuais e críticos que discutam a presença de estereótipos na literatura? A quem deve a editora encomendar a nota explicativa? Qual seria o conteúdo da nota solicitada? A nota deve fazer uma autocrítica (autoral, editorial?) assumindo que o livro contém estereótipos? A nota deve informar ao leitor que “Caçadas de Pedrinho” é um livro racista? Quem decidirá se a nota explicativa cumpre efetivamente o esclarecimento exigido pelo MEC?

As questões poderiam se multiplicar. Mas não vale a pena. O panorama que a multiplicação das questões delineia é por demais sinistro. Como fecho destas melancólicas linhas maltraçadas aponte-se que qualquer nota no sentido solicitado – independente da denominação que venha a receber, do estilo em que seja redigida, e da autoria que assumir – será um desastre. Dará sinal verde para uma literatura autoritariamente auto-amordaçada. E este “modelito” da mordaça de agora talvez seja mais pernicioso do que a ostensiva queima de livros em praça pública, número medonho mas que de vez em quando entra em cartaz na história desta nossa Pátria amada idolatrada salve salve. E salve-se quem puder ... pois desta vez a censura não quer determinar apenas o que se pode ou não se pode ler, mas é mais sutil, determinando como se deve ler o que se lê!

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* Prof. Titular (aposentada) da UNICAMP; Prof. da Universidade Presbiteriana Mackenzie; Pequisadora Senior do CNPq.; Organizadora ( com João Luís Ceccantini) do livro Monteiro Lobato livro a livro (obra infantil), obra que recebeu o Prêmio Jabuti 2010 como melhor livro de Não Ficção.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O blog como ferramenta de ensino – duas experiências na UEM




Marciano Lopes



No segundo semestre de 2009 realizei juntamente com os alunos de três turmas do curso de Letras da Universidade Estadual de Maringá uma proposta de produção de blogs aliados à prática de seminários. Conforme expus em uma postagem do ano passado, quando iniciava as experiências cujo resultado agora apresento, nas disciplinas de Literatura Brasileira: Poesia, do 2º ano de Letras noturno (habilitações duplas), dividi as turmas em grupos de cinco membros, cabendo a cada um manter um blog cujo tema era o ponto sorteado para o seminário da última avaliação. Além dos blogs dos grupos, criei um gerenciado apenas por mim: Poetas do Brasil (http://poetasdobrasil.arteblog.com.br/). Este blog, que chamei de “blog-mãe”, teve por objetivos:

a) tratar dos poetas da fase colonial até o modernismo (período que deveria ser estudado em classe), ficando o período posterior para eles tratarem nos blogs e nos seminários;
b) servir de portal para acesso aos demais blogs criados pelos alunos, assim funcionando como um portal de entrada para eles – ou também como um “blog-mãe” (em alusão à expressão “nave-mãe”), pois serve como agregador dos demais blogs que a ele se conectam formando uma teia.

Com a terceira turma, da disciplina de Tópicos de Literatura Brasileira, que teve por conteúdo o estudo do conto brasileiro pós 1970, resolvemos fazer um único blog, que foi alimentado por mim e pelos grupos, que também receberam um ponto temático cada um. Trata-se do blog Contos e encontros: http://contosdobrasil.arteblog.com.br/ (imagem do cabeçalho acima, na abertura desta matéria).

No caso da primeira disciplina, Literatura Brasileira: Poesia, o blog Poetas do Brasil serviu para minimizar as inevitáveis e largas lacunas no desenvolvimento do programa devido ao reduzidíssimo tempo de um semestre para estudar toda a poesia brasileira desde o período colonial até a contemporaneidade. As vantagens com relação à avaliação tradicional dividida em prova escrita, artigo e seminário, foram várias, mas antes de tratá-las julgo pertinente começar apontando alguns critérios de avaliação estabelecidos para avaliar a produção dos alunos em seus blogs e que foram fundamentais para garantir a qualidade da produção, a pesquisa contínua sobre o tema (evitando aqueles trabalhos feitos na última hora) e a interatividade (de modo que cada grupo não fique com suas leituras restritas ao seu tema, como acontece nos seminários em geral):

a) frequência mínima de postagem: uma por semana;

b) variedade nos tipos e gêneros textuais assim como nas mídias utilizadas em cada postagem, as quais têm diferentes pesos na avaliação conforme a quantidade de informação agregada à(s) original(is),

c) interatividade entre os grupos: cada grupo deveria visitar os dos outros grupos, o que poderia ser verificado pelo uso da ferramenta "Comentários" ou pela presença marcada em "Visitantes mais recentes". No caso do trabalho coletivo em um único blog, os participantes deveriam interagir através da ferramenta "Comentários" internamente, visitando as postagens dos colegas dos outros grupos.

d) obrigatoriedade no estabelecimento de uma rede de contatos e navegação através das ferramentas “Meus Amigos” e “Links Favoritos” – de tal modo que o visitante possa facilmente circular por todos os blogs produzidos (no caso da disciplina Literatura Brasileira: Poesia, em que cada grupo criou e manteve um blog próprio) e sites afins,

e) obrigatoriedade do uso da ferramenta “Comentários” sem moderação.


DIFICULDADES ENFRENTADAS

O uso dos blogs nas duas disciplinas voltou-se para uma estratégia de ensino alicerçada nas ideias de interatividade, pesquisa e produção críticas, no entanto, implantar esta atitude em um meio e cultura nos quais a reprodução/cópia é a regra, não é tarefa fácil. Apesar do recurso da Internet favorecer a reprodução acrítica de textos alheios, acredito que a exigência de criação de textos próprios, ou seja, com linguagem própria (mesmo que parafraseando as fontes), e a obrigatoriedade de informar o devido crédito e implantar o hiperlink, no caso de fontes existentes no ciberespaço, tenha conduzido os alunos a assumirem uma atitude de maior responsabilidade e respeito, mesmo porque o não cumprimento de tais exigências os coloca numa situação desconfortável e perigosa, visto que qualquer internauta – especialmente os autores dos textos fontes – poderão constatar a atitude anti-ética do plágio no caso deste ocorrer.

Outro problema enfrentado diz respeito à dificuldade de inclusão digital do aluno. Foram muitos que encontraram dificuldade no desenvolvimento da proposta por não terem computador em casa ou por não tê-lo conectado à Internet. A saída encontrada foi a de reunirem-se os membros de cada grupo periodicamente na casa de quem tivesse computador conectado à internet (especialmente na daqueles em que a conexão é ADSL) e de distribuir as atividade de edição levando isso em consideração, de modo que àqueles que não tinham o acesso caseiro à internet fizessem atividade tais como pesquisa em fontes bibliográticas, escritura e revisão dos textos.
Na condição de professor, o maior problema enfrentado foi a falta de tempo e condições físicas para acompanhar a produção de todos os blogs – um de Tópicos de Literatura Brasileira e doze de Literatura Brasileira: Poesia) e ainda produzir em dois blogs. Até metade do período da experiência conseguia acompanhar revisando as postagens e deixando comentários com indicações de problemas de redação ou diagramação a serem corrigidos, críticas, dicas e sugestões, porém isso foi se tornando cada vez mais difícil na medida em que os alunos iam pegando prática e gosto na execução do trabalho, passando a produzirem em maior escala. Para resolver este problema de controle da qualidade final das postagens, solicitei no término do semestre que cada grupo imprimisse suas postagens para que eu as lesse e corrigi-se. Feito isso, eram devolvidas para que fizessem as correções nas postagens e depois reimprimissem novamente para entrega do trabalho final contendo: uma introdução apresentando a proposta pedagógica e do blog em questão e uma conclusão apresentando os aspectos positivos e negativos da experiência.


ASPECTOS POSITIVOS

Salvo os problemas acima apontados, foram vários os aspectos positivos da estratégia, destacando-se:

a) A melhor qualidade dos seminários ao final da disciplina, uma vez que os alunos eram obrigados a estar continuamente em contato com os conteúdos dos mesmos, pesquisando-os e reelaborando-os para a realização das postagens semanais. Com tal estratégia evitou-se em grande medida a prática comum dos alunos prepararem o seminário “na última hora”, o que regra geral resulta em um desastre devido à falta de reflexão e debate entre os pares do grupo sobre o material pesquisado.

b) A prática de produção de outros gêneros textuais além daqueles tipicamente acadêmicos (tais como resenhas, artigos e monografias) e o desenvolvimento da consciência de que ao se escrever deve-se ter em mente o público-alvo e o suporte da publicação, de modo a adequar não somente a linguagem como também o gênero textual aos mesmos. Em outras palavras, por se tratar da produção de blogs que funcionam como revistas on-line, os alunos deixaram de escrever para o professor (como é a prática recorrente) e foram levados a refletir sobre a necessidade de utilizar outras linguagens além da acadêmica e de adequá-las – assim como a estruturação e diagramação textual – ao público leitor e ao espaço da tela, que é diferente do espaço de uma revista impressa ou mais ainda de um livro. Aos poucos, eles foram percebendo a necessidade de formularem textos com uma linguagem mais coloquial (sem abrir mão da correção gramatical), com menor extensão, com imagens e/ou outros recursos midiáticos (tais como arquivos de som ou vídeo) de forma a torná-los mais atraentes/sedutores e de compreensão facilitada a um público leigo no assunto.

c) A melhor circulação dos conteúdos dos seminários de cada grupo entre todos os alunos das turmas, posto que houvesse como um dos critérios de avaliação a obrigatoriedade de cada grupo visitar os blogs dos colegas e deixar comentários com sugestões, críticas, ou mesmo perguntas e divergências. Essa estratégia, além da possível curiosidade dos alunos em conhecer e acompanhar os blogs dos demais colegas, minimiza a prática recorrente dos grupos ficarem restritos ao estudo e à recepção dos conteúdos do seu seminário. Como todo professor sabe, é comum que os alunos não prestem muita atenção à apresentação dos seminários dos demais, uma vez preocupados na apresentação do seu, que é feita para o professor, e não para os colegas. E como a apresentação do seminário é apenas um momento no desenrolar do curso, a aquisição dos conteúdos tratados neles fica por demais prejudicada. Entretanto, com a prática de visitas aos blogs dos outros grupos, a transmissão e troca dos conteúdos desenvolvidos entre os pares não fica restrita ao momento do seminário.

d) O desenvolvimento do espírito de equipe, uma vez que a produção dos blogs, sendo similar a de uma revista, leva-os a perceber importância e a necessidade de divisão do trabalho em diversas fases/atividades do trabalho de edição (tais como pesquisa, redação, revisão e diagramação).

e) A valorização do trabalho escolar, que deixa de ter um fim em si mesmo. Com isso, o trabalho não se esgota na sua entrega ou realização com vistas apenas à avaliação, pois o aluno deixa de realizar o trabalho para o professor e para a obtenção de uma nota, passando a escrever para um público leitor real. Além desse aspecto positivo, o resultado final permanece disponível a todo internauta, podendo servir aos professores de língua e literatura (ou outras artes) como apoio didático.

f) Maior interatividade entre professor e aluno, que deixa a atitude passiva e passa a produzir conhecimento, contribuindo para o curso durante todo o tempo, e não apenas nos momentos de seminário ou nas raras contribuições em sala, posto que são poucos que intervém com perguntas, comentários, discussões etc. – até porque muitos que gostariam de fazê-lo às vezes não o fazem devido à rejeição que poderão sofrer de alguns colegas. Em várias ocasiões aproveitei as postagens de alguns grupos para o desenvolvimento de aulas, trabalhando com a leitura e discussão de textos artísticos e críticos feitas por eles – o que, às vezes, levava-os a refazerem suas postagens ou mesmo a fazerem novas postagens sobre o assunto ou texto em discussão. Isso aconteceu de forma muito interessante e intensa na disciplina de Tópicos de Literatura Brasileira, em que a discussão inicial sobre o conto “Botão de Rosa”, de Murilo Rubião, feita com base em uma postagem do grupo que estava pesquisando sobre o conto fantástico, levou o mesmo a produzir mais três, aproveitando na redação dos novos textos as discussões realizadas em classe, incorporando opiniões, leituras e informações feitas pelo professor ou por colegas. Com essa prática, se rompe a unidirecionalidade do ensino bancário favorecendo ao aluno vivenciar a construção do conhecimento como um processo vivo, dinâmico e dialógico.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como pode-se ver, a experiência realizada contemplou o uso dos blogs tanto como recurso assim como estratégia, conforme propõe Maria João Gomes (2005) e António Marcelino Lopes em estudo conjunto com ela - conforme apresentado na postagem anterior sobre "O blog como ferramento de ensino - problemas e proposições" e especialmente na postagem "O uso de blogs no ensino de literatura e redação", de setembro de 2009 . Aliás, acredito ter dado um passo além das proposições da pesquisadora portuguesa na medida em que se conciliou num mesmo blog as duas possibilidades de ação ao mesmo tempo em que se superou o uso deste como um portfólio por parte dos alunos.

Por fim, é importante informar que a relação dos temas desenvolvidos nos seminários da disciplina de Literatura Brasileira: Poesia – assim como o URL de cada blog produzido – encontra-se na página de descrição do blog-mãe Poetas do Brasil: http://poetasdobrasil.arteblog.com.br/p/profil. Também é possível acessarmos estes blogs através da relação dos “Favoritos” no menu do blog-mãe. Apesar de todos apresentarem um resultado final satisfatório, gostaria de destacar os três que considero os melhores devido à excelência alcançada e o perfil voltado para uma educação étnico-racial:

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Educação étnico-racial na escola

Resolução fixa regras para formação de equipes multidisciplinares de educação etnicorracial
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/diaadia/diadia/modules/noticias/index.php?PHPSESSID=2010091001164416
9/9/2010 20:16:23

A Secretaria de Educação do Paraná publicou a Resolução n° 3399/2010–GS/SEED, estabelecendo regras para formação das equipes multidisciplinares para atuar na educação das relações etnicorraciais na rede estadual de educação básica e nos Núcleos Regionais de Educação (NREs). A resolução tem por finalidade auxiliar nas ações da educação das relações etnicorraciais no ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena em todas as escolas da rede pública do Estado. Foi publicada no Diário Oficial do Poder Executivo do Estado do Paraná do dia 25/08/2010.

Cassius Marcelus Cruz, coordenador do Núcleo de Educação das Relações Etnicorraciais e Afrodescendência (Nerea) da Secretaria de Estado da Educação (SEED), esclarece que, no Paraná, as equipes já vêm gradativamente sendo formadas nas escolas “O que não existia era uma orientação precisa para este trabalho e a resolução vem para institucionalizar um grupo responsável pela implementação das ações ligadas à Lei 10.639/2003”, explica.

A definição das regras de constituição das equipes foi baseada nas discussões do Fórum Permanente de Educação e Diversidade Etnicorracial do Paraná (FPEDER/PR), que é composto por várias instituições, entre elas a APP-Sindicato, ACNAP, IPAD, UNEGRO, Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB-UFPR), NEAA-UEL, SISMMAC e a SEED.

Paulo Vinicius Baptista da Silva, coordenador do NEAB/UFPR, esclarece que a necessidade da formação das equipes multidisciplinares já se observava mesmo antes do lançamento do plano nacional. “A necessidade de uma formação específica para as equipes ocorreu no início do processo, determinado pela Deliberação 04/2006 do Conselho Estadual de Educação do Paraná CEE-PR, que tem como objetivo acompanhar e incentivar a efetivação da Lei 10639/03 “Diria que os processos foram paralelos e com alguma comunicação”, destaca.

O professor afirma ainda, que foram realizados seminários regionais e evento nacional para construção do Plano Nacional de Implementação da Lei 10.639/03. “Tanto a comissão técnico-científica de assessoramento do MEC-CADARA, quanto o FPEDER/PR participaram ativamente em todo esse processo. Em período coincidente, o Fórum do Paraná veio construindo a proposta para normatizar a deliberação do CEE-PR, de forma a fortalecer o processo de estruturação de trabalhos nas escolas por meio das equipes multidisciplinares”, afirma.

Segundo Paulo Vinícius, a formação das equipes no Paraná se diferencia, pois ela ocorrerá em todas as escolas. Ele diz que o processo no Estado está bastante adiantado. “Essa discussão teve início há mais tempo e, com a resolução, a efetivação e fiscalização destas equipes significa um avanço rumo a implementação efetiva da educação das relações etnicorracias e ensino de história e cultura afro-brasileiras”.

O NEREA fará o acompanhamento das atividades, por meio de um sistema criado especificamente para isso, que estará disponível no sítio www.diaadia.pr.gov.br/nerea. Essa visibilidade das ações é vista de forma positiva pelo coordenador. “É uma maneira de exercer também um controle social sobre a implementação, já que qualquer pessoa terá acesso ao que vem sendo desenvolvido nas escolas para implementação da Lei”. Segundo o Chefe do Departamento da Diversidade da SEED, Wagner Roberto do Amaral, as equipes multidisciplinares são espaços pedagógicos fundamentais nas escolas estaduais, sendo responsáveis em pautar e refletir as diretrizes curriculares para a educação das relações etnicorraciais e para o ensino de história e cultura africana, afrobrasileira e indígena. “Essa é uma estratégia para refletirmos e superarmos as manifestações e atitudes de preconceito e discriminação racial ainda existentes nas escolas”, define.

Composição – Para compor as equipes, será necessário observar o art. 3º da Resolução 3399/2010, considerando o porte de cada estabelecimento de ensino. Professores das disciplinas da base nacional comum e da Educação Profissional poderão integrar as equipes, assim como os demais educadores que atuam nas escolas.

Vantagens – Os participantes das equipes multidisciplinares, após realizados os encontros e comprovada sua participação, receberão certificação para progressão no plano de carreira do magistério público do Paraná, conforme resolução própria, que dispõe sobre a pontuação dos eventos de formação e/ou qualificação profissional e produção do/da professor/a da Rede Estadual de Educação Básica do Estado do Paraná.

Critérios – Poderão participar professores/as e funcionários/as, que serão aclamados/as em assembléia, respeitando os critérios abaixo :

- em exercício no estabelecimento de ensino por no mínimo 3 (três) meses (QPM e PSS);

- apresentar propostas de ações para implementação da Educação das Relações Etnico-Raciais ou História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e/ou Indígena;

A resolução destaca também outros critérios, como a importância dos candidatos terem participado de eventos de formação continuada sobre a temática e ainda ter desenvolvido trabalhos ou ações voltadas à(s) temática(s) no estabelecimento de ensino ou em outras áreas de âmbito educacional.


VEJA: FÓRUM PERMANENTE DE EDUCAÇÃO ETNICO-RACIAL SE REUNIU HOJE - 10/9/2010 18:31:00

Aconteceu hoje (10) uma sessão plenária do Fórum Permanente de Educação e Diversidade Etnicorracial do Paraná (FPEDER), do qual a Secretaria de Estado da Educação (SEED) participa. O objetivo do encontro foi a apresentação do regimento interno do FPEDER e apresentação das novas instituições e entidades da sociedade civil que aderiram ao Fórum. O evento ocorreu na Fundação Escola do Ministério Público do Estado do Paraná, em Curitiba, e foi aberta a todas as entidades dos diferentes movimentos sociais e instituições públicas. [Para ler o resto, clique aqui.]