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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Pela luz dos olhos teus: um projeto exemplar



Acima, vídeo apresentado no Programa da Record, no quadro “Mulheres Inspiradoras”, sobre o projeto "Pela luz dos olhos teus", realizado voluntariamente pela professora Sharlene Davantel Valarini com a participação espontânea dos seus alunos na escola Girassol, em Engenheiro Beltrão/PR. Seu projeto está entre os finalistas do prêmio da Natura, destinado a valorizar as intervenções sociais de suas consultoras. No caso em questão, trata-se de um projeto que busca produzir a leitura e produção de textos poéticos em clase, gravá-los e depois reproduzi-los para serem distribuídos gratuitamente a pessoas com deficiência visual. Sharlene, além de consultora da Natura e professora, é também doutoranda em Letras na Universidade Estadual de Maringá.

Nossa equipe sente-se imensamente feliz com o sucesso do seu trabalho. Continue sempre sendo essa profissional (e pessoa) exemplar. Parabéns Sharlene!


domingo, 25 de setembro de 2011

Curso de Extensão: “O e-book – práticas de leitura em sala de aula”

Olá a todos!

Estão abertas as inscrições para mais um curso de extensão de interesse para todos aqueles que se interessem pelo ciberespaço e pela cibercultura, especialmente com relação a propostas a serem aplicadas em sala de aula. Trata-se do curso de extensão “O e-book – práticas de leitura em sala de aula”. O curso será ministrado no auditório do CCE (Bloco F-67), na Universidade Estadual de Maringá, no dia 07/10/2011. Leiam as informações:

Programa:
- “E-book: o que é? Como surgiu?” – Ministrante: Márcio Roberto do Prado – 2 horas-aula
- “A autoria e a ética nos e-books” – Ministrante: Márcio Roberto do Prado – 3 horas-aula
- “E-books e o ensino de literatura” – Ministrantes: Vera Teixeira Aguiar e Alice Penteado Martha – 5 horas-aula
- “Atividades práticas a serem desenvolvidas pelos participantes do curso” – 10 horas-aula

Coordenador: Prof. Dr. Márcio Roberto do Prado
Período para inscrições: 23/09/2011 a 06/10/2011
Valor: Acadêmico R$ 20,00 (para todos os participantes)
Vagas: 120 vagas
Local do curso: Auditório do CCE (Bloco F-67)
Horário: a partir das 8h da manhã
Carga horária: 20 horas (10 horas presenciais e 10 horas em atividades a distância pela internet)
Código de recolhimento: 2974

Inscrições
Para se inscrever, gere o boleto e pague-o no banco (Caixa Econômica Federal) dentro do prazo estipulado no mesmo. Preencha o código de recolhimento (2974), o valor (R$ 20,00) e o nome por completo (todo por extenso) e corretamente, pois ele sairá no certificado conforme você preenchê-lo no boleto.


Clique aqui pra gerar o boleto

Em caso de dúvidas, entrar em contato com Gabriel ou Sarah no telefone (44) 3011-4914

terça-feira, 3 de maio de 2011

Mais uma polêmica, mais uma interdição!


O livro “Heroísmo de Quixote” — registrado com o número 4.869 na biblioteca da Escola Municipal Benedito Ottoni — deixou as estantes do colégio no Maracanã, após uma discórdia que acabou indo parar na delegacia. A mãe de um aluno do 6º ano ficou revoltada com o fato de o livro, que fala sobre sexo, drogas e prostituição e é recheado de palavrões, ter sido dado a seu filho, “uma criança de 11 anos”, na sala de leitura. (...)

A escritora gaúcha Paula Mastroberti, autora de “Heroísmo de Quixote”, trabalha o livro em escolas públicas da Região Metropolitana de Porto Alegre. A iniciativa faz parte de uma parceria com a Câmara Rio-Grandense do Livro. Mesmo assim, a autora reconhece que nem sempre o livro é aceito em sala de aula.

— Em alguns casos, os professores têm medo de levar o livro para a sala de aula porque não se sentem preparados. Se uma criança tiver dúvida, o professor deve responder numa linguagem que ele entenda. Mas não me sinto qualificada para saber quem deve ou não ler.


O livro “Heroísmo de Quixote”, que em 2005 ficou em segundo lugar na categoria melhor livro juvenil do Prêmio Jabuti, é uma recriação feita a partir da obra de Miguel de Cervantes y Saavedra.


— Às vezes, as pessoas acham que os jovens não precisam saber da violência, porque podem ser contaminados. O problema não é o livro. O problema é a relação entre adultos e crianças — assinala Paula Mastroberti.

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Fonte: matéria de Herculano Barreto Filho. Leia o restante clicando aqui.

quinta-feira, 17 de março de 2011

INSCRIÇÕES ABERTAS: Curso "Revistas literárias e sites de escritores no ciberespaço: como usar na escola?"

Nova Data: 26/04 (terça-feira)

Curso: "As revistas literárias e sites de escritores no ciberspaço: como usar na escola?"

: Coordenador: Marciano Lopes

Tópicos do Programa:

1- Transposição midiática - Márcio Prado - MANHÃ

2- Sites de escritores - Luzia Tofalini - MANHÃ

3- Revistas literárias - Marciano Lopes - TARDE

4- Sites e revistas de escritores de Literatura Infantil e Juvenil - Alice Martha e Marilurdes Zanine - TARDE :

Período para inscrições: 28/03/2011 a 19/04/2011 - Valor: Acadêmico R$ 20,00 - Não-Acadêmico R$ 20,00 - Vagas: mínimo de 30 e máximo de 100 vagas - Local do curso: auditório Adelbar de Barros - Bloco F-67 (CCE) - Carga horária: 20 horas

Inscrições:

Para se inscrever, gere o boleto e pague-o no banco (Caixa Econômica Federal) dentro do prazo estipulado no mesmo. Preencha o código de recolhimento (2708), o valor (R$ 20,00) e o nome por completo (todo por extenso) e corretamente, pois ele sairá no certificado* conforme você preenchê-lo no boleto.

Clique aqui pra gerar o boleto.


* Infelizmente, os certificados serão emitidos pela DEX, pois há duas resoluções pertinentes à questão que assim determinam.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

A defesa de Lobato contra o parecer do CNE

Há algumas postagens atrás publicamos um texto de Marisa Lajolo criticando o parecer do Conselho Nacional de Educação vetando Caçadas de Pedrinho nas escolas brasileiras. Publicamos agora uma bem humorada resposta à prática do "politicamente correto" feita (acreditem!) pelo autor, lá do além, após muito ter se revirado na tumba...


REINAÇÕES DE POLITICAMENTE CORRETINHO

Não sei se vocês leram que o Conselho Nacional de Educação (CNE) pediu que meu livro, Caçadas de Pedrinho, fosse retirado das escolas. Motivo? No entender do órgão, algumas frases da história são racistas, especialmente as relacionadas à personagem Tia Nastácia. Como medida conciliatória, alguns sugeriram a inclusão de uma nota explicativa sobre o contexto histórico em que o livro foi escrito, de tal forma a evitar que esse clássico da literatura infanto-juvenil deixe de circular entre os estudantes brasileiros.

Minha intenção aqui não é me defender nem tampouco alimentar o fogo dessa polêmica. Meu ponto é outro. Gostei da ideia de introduzir uma nota explicativa. Mas em vez de contextualizar o passado, talvez fosse melhor dedicá-la a contextualizar o presente. Pelo simples fato de que as crianças de hoje perderam bastante da ingenuidade e estão afastadas do convívio com a natureza.

Aquela expressão “tirem as crianças da sala” não faz mais sentido. Elas assistem a tudo na internet. Um adolescente de hoje já viu mais sexo na web do que toda a juventude sueca da década de 70 viu nas famosas revistinhas que circulavam por lá. Qualquer letra de rap ou funk é mais do que suficiente para eliminar as reservas de inocência e pureza naturais da tenra idade. Em compensação, as novas gerações só identificam uma galinha em dois formatos: jpg e bandejinha de supermercado.

Ao reler minha obra sob esse prisma, fiquei preocupado. As histórias seguem boas, mas a narrativa, os nomes dos personagens e dos lugares podem servir de munição pesada para interpretações maliciosas e piadas de duplo sentido. Entendam, quando escrevi minha coleção de livros infanto-juvenis as crianças da idade do Justin Bieber não cantavam sobre amores impossíveis e não assistiam a filmes como Tropa de Elite desacompanhadas dos pais.

Por tudo isso, decidi acatar a sugestão de alguns. Redigi a tal nota de esclarecimento que deve ser incluída nos meus livros infanto-juvenis (se é que isso ainda existe).

Nota de esclarecimento (Nota de esclarecimento sobre o termo esclarecimento. O mesmo foi aqui empregado não no sentido de tornar mais branco, mas sim no de se fazer mais explicado, com mais luz).

A personagem Dona Benta sempre esteve na história original. Ela não foi incluída posteriormente como merchandising de uma conhecida farinha de trigo.

O carinhoso apelido de Narizinho não sugere que tal personagem tem por hábito o consumo de drogas ilícitas pela via nasal. Quem o tem é a Emília, que ganhou vida ao aspirar o tal pó de pirlimpimpim.

Não há nenhuma evidência de que o Visconde de Sabugosa, apesar de falar com grande sabedoria, seja transgênico.

Marquês de Rabicó. Eu sei, é um nome complicado. Pode zoar à vontade.

Não é o que está queimando no cachimbo que faz o Saci pular sem parar. É a falta de uma perna mesmo.

Por fim, Sítio do Picapau Amarelo não é uma menção à propriedade rural de um órgão genital masculino de um oriental. Eu jamais cometeria um pleonasmo como Pica-Pau.

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Postado (do além) por: Monteiro Lobato
Fonte:
http://www.blogsdoalem.com.br/lobato/

sábado, 6 de novembro de 2010

PERIGO! Conselho Nacional de Educação CENSURA Lobato!


Quem paga a música escolhe a dança?

Marisa Lajolo*


“Caçadas de Pedrinho”, de Monteiro Lobato, está em pauta e é bom que esteja, pois é um livro maravilhoso.

Narra as aventuras da turma do sítio de Dona Benta primeiro às voltas com a bicharada da floresta próxima e, depois, com uma comissão do governo encarregada de caçar um rinoceronte fugido de um circo. Nos dois episódios prevalecem o respeito ao leitor, a visão crítica da realidade, o humor fino e inteligente.

Na primeira narrativa, a da caçada da onça, as armas das crianças são improvisadas e na hora agá não funcionam. É apenas graças à esperteza e inventividade dos meninos que eles conseguem matar a onça e arrastá-la até a casa do sítio. A morte da onça provoca revolta nos bichos da floresta e eles planejam vingança numa assembleia muito divertida: felinos ferozes invadem o sítio e – de novo – é apenas graças à inventividade e esperteza das crianças (particularmente de Emília) que as pessoas escapam de virar comida de onça.

Na segunda narrativa, a fuga de um rinoceronte de um circo e seu refúgio no sítio de dona Benta leva para lá a Comissão que o governo encarregou de lidar com a questão. Os moradores do sítio desmascaram a corrupção e o corpo mole da comissão, aliam-se ao animal cioso da liberdade conquistada e espantam seus proprietários. E, batizado Quindim, o rinoceronte fica para sempre incorporado às aventuras dos picapauzinhos.

Estas histórias constituem o enredo do livro que parecer recente do Conselho Nacional de Educação (CNE), a partir de denúncia recebida, quer proibir de integrar acervos com os quais programas governamentais compram livros para bibliotecas escolares . O CNE acredita que o livro veicula conteúdo racista e preconceituoso e que os professores não têm competência para lidar com tais questões. Os argumentos que fundamentam as acusações de racismo e preconceito são expressões pelas quais Tia Nastácia é referida no livro, bem como a menção à África como lugar de origem de animais ferozes.

Sabe-se hoje que diferentes leitores interpretam um mesmo texto de maneiras diferentes. Uns podem morrer de medo de uma cena que outros acham engraçada. Alguns podem sentir-se profundamente tocados por passagens que deixam outros impassíveis. Para ficar num exemplo brasileiro já clássico, uns acham que Capitu (D. Casmurro, Machado de Assis) traiu mesmo o marido, e outros acham que não traiu, que o adultério foi fruto da mente de Bentinho. Outros ainda acham que Bentinho é que namorou Escobar ... !

É um grande avanço nos estudos literários esta noção mais aberta do que se passa na cabeça do leitor quando seus olhos estão num livro. Ela se fundamenta no pressuposto segundo o qual, dependendo da vida que teve e que tem, daquilo em que acredita ou desacredita, da situação na qual lê o que lê, cada um entende uma história de um jeito. Mas essa liberdade do leitor vive sofrendo atropelamentos. De vez em quando, educadores de todas as instâncias – da sala de aula ao Ministério de Educação – manifestam desconfiança da capacidade de os leitores se posicionarem de forma correta face ao que lêem.

Infelizmente, estamos vivendo um desses momentos.

Como os antigos diziam que quem paga a música escolhe a dança, talvez se acredite hoje ser correto que quem paga o livro escolha a leitura que dele se vai fazer. A situação atual tem sua (triste) caricatura no lobo de Chapeuzinho Vermelho que não é mais abatido pelos caçadores, e pela dona Chica-ca que não mais atira um pau no gato-to. Muda-se o final da história e re-escreve-se a letra da música porque se acredita que leitores e ouvintes sairão dos livros e das canções abatendo lobos e caindo de pau em bichanos. Trata-se de uma ideia pobre, precária e incorreta que além de considerar as crianças como tontas, desconsidera a função simbólica da cultura. Para ficar em um exemplo clássico, a psicanálise e os estudos literários ensinam que a madrasta malvada de contos de fada não desenvolve hostilidade contra a nova mulher do papai, mas – ao contrário – pode ajudar a criança a não se sentir muito culpada nos momentos em que odeia a mamãe, verdadeira ou adotiva...

Não deixa de ser curioso notar que esta pasteurização pretendida para os livros infantis e juvenis coincide com o lamento geral – de novo, da sala de aula ao Ministério da Educação – pela precariedade da leitura praticada na sociedade brasileira. Mas, como quem tem caneta de assinar cheques e de encaminhar leis tem o poder de veto, ao invés de refletir e discutir, a autoridade veta. E veta porque, no melhor dos casos e muitas vezes com a melhor das intenções, estende suas reações a certos livros a um numeroso e anônimo universo de leitores.

No caso deste veto a “Caçadas de Pedrinho”, a Conselheira Relatora Nilma Lino Gomes acolhe denúncia de Antonio Gomes da Costa Neto que entende como manifestação de preconceito e intolerância "de maneira mais específica a personagem feminina e negra Tia Anastácia e as referências aos personagens animais tais como urubu, macaco e feras africanas; (...) aponta menção revestida de estereotipia ao negro e ao universo africano, que se repete em vários trechos do livro analisado e exige da editora responsável pela publicação a inserção no texto de apresentação de uma nota explicativa e de esclarecimentos ao leitor sobre os estudos atuais e críticos que discutam a presença de estereótipos na literatura".

Independentemente do imenso equívoco em que, de meu ponto de vista, incorrem o denunciante e o CNE que aprova por unanimidade o parecer da relatora, o episódio torna-se assustador pelo que endossa, anuncia e recomenda de patrulhamento da leitura na escola brasileira. A nota exigida transforma livros em produtos de botica, que devem circular acompanhados de bula com instruções de uso.

O que a nota exigida deve explicar? o que significa esclarecer ao leitor sobre os estudos atuais e críticos que discutam a presença de estereótipos na literatura? A quem deve a editora encomendar a nota explicativa? Qual seria o conteúdo da nota solicitada? A nota deve fazer uma autocrítica (autoral, editorial?) assumindo que o livro contém estereótipos? A nota deve informar ao leitor que “Caçadas de Pedrinho” é um livro racista? Quem decidirá se a nota explicativa cumpre efetivamente o esclarecimento exigido pelo MEC?

As questões poderiam se multiplicar. Mas não vale a pena. O panorama que a multiplicação das questões delineia é por demais sinistro. Como fecho destas melancólicas linhas maltraçadas aponte-se que qualquer nota no sentido solicitado – independente da denominação que venha a receber, do estilo em que seja redigida, e da autoria que assumir – será um desastre. Dará sinal verde para uma literatura autoritariamente auto-amordaçada. E este “modelito” da mordaça de agora talvez seja mais pernicioso do que a ostensiva queima de livros em praça pública, número medonho mas que de vez em quando entra em cartaz na história desta nossa Pátria amada idolatrada salve salve. E salve-se quem puder ... pois desta vez a censura não quer determinar apenas o que se pode ou não se pode ler, mas é mais sutil, determinando como se deve ler o que se lê!

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* Prof. Titular (aposentada) da UNICAMP; Prof. da Universidade Presbiteriana Mackenzie; Pequisadora Senior do CNPq.; Organizadora ( com João Luís Ceccantini) do livro Monteiro Lobato livro a livro (obra infantil), obra que recebeu o Prêmio Jabuti 2010 como melhor livro de Não Ficção.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O blog como ferramenta de ensino – duas experiências na UEM




Marciano Lopes



No segundo semestre de 2009 realizei juntamente com os alunos de três turmas do curso de Letras da Universidade Estadual de Maringá uma proposta de produção de blogs aliados à prática de seminários. Conforme expus em uma postagem do ano passado, quando iniciava as experiências cujo resultado agora apresento, nas disciplinas de Literatura Brasileira: Poesia, do 2º ano de Letras noturno (habilitações duplas), dividi as turmas em grupos de cinco membros, cabendo a cada um manter um blog cujo tema era o ponto sorteado para o seminário da última avaliação. Além dos blogs dos grupos, criei um gerenciado apenas por mim: Poetas do Brasil (http://poetasdobrasil.arteblog.com.br/). Este blog, que chamei de “blog-mãe”, teve por objetivos:

a) tratar dos poetas da fase colonial até o modernismo (período que deveria ser estudado em classe), ficando o período posterior para eles tratarem nos blogs e nos seminários;
b) servir de portal para acesso aos demais blogs criados pelos alunos, assim funcionando como um portal de entrada para eles – ou também como um “blog-mãe” (em alusão à expressão “nave-mãe”), pois serve como agregador dos demais blogs que a ele se conectam formando uma teia.

Com a terceira turma, da disciplina de Tópicos de Literatura Brasileira, que teve por conteúdo o estudo do conto brasileiro pós 1970, resolvemos fazer um único blog, que foi alimentado por mim e pelos grupos, que também receberam um ponto temático cada um. Trata-se do blog Contos e encontros: http://contosdobrasil.arteblog.com.br/ (imagem do cabeçalho acima, na abertura desta matéria).

No caso da primeira disciplina, Literatura Brasileira: Poesia, o blog Poetas do Brasil serviu para minimizar as inevitáveis e largas lacunas no desenvolvimento do programa devido ao reduzidíssimo tempo de um semestre para estudar toda a poesia brasileira desde o período colonial até a contemporaneidade. As vantagens com relação à avaliação tradicional dividida em prova escrita, artigo e seminário, foram várias, mas antes de tratá-las julgo pertinente começar apontando alguns critérios de avaliação estabelecidos para avaliar a produção dos alunos em seus blogs e que foram fundamentais para garantir a qualidade da produção, a pesquisa contínua sobre o tema (evitando aqueles trabalhos feitos na última hora) e a interatividade (de modo que cada grupo não fique com suas leituras restritas ao seu tema, como acontece nos seminários em geral):

a) frequência mínima de postagem: uma por semana;

b) variedade nos tipos e gêneros textuais assim como nas mídias utilizadas em cada postagem, as quais têm diferentes pesos na avaliação conforme a quantidade de informação agregada à(s) original(is),

c) interatividade entre os grupos: cada grupo deveria visitar os dos outros grupos, o que poderia ser verificado pelo uso da ferramenta "Comentários" ou pela presença marcada em "Visitantes mais recentes". No caso do trabalho coletivo em um único blog, os participantes deveriam interagir através da ferramenta "Comentários" internamente, visitando as postagens dos colegas dos outros grupos.

d) obrigatoriedade no estabelecimento de uma rede de contatos e navegação através das ferramentas “Meus Amigos” e “Links Favoritos” – de tal modo que o visitante possa facilmente circular por todos os blogs produzidos (no caso da disciplina Literatura Brasileira: Poesia, em que cada grupo criou e manteve um blog próprio) e sites afins,

e) obrigatoriedade do uso da ferramenta “Comentários” sem moderação.


DIFICULDADES ENFRENTADAS

O uso dos blogs nas duas disciplinas voltou-se para uma estratégia de ensino alicerçada nas ideias de interatividade, pesquisa e produção críticas, no entanto, implantar esta atitude em um meio e cultura nos quais a reprodução/cópia é a regra, não é tarefa fácil. Apesar do recurso da Internet favorecer a reprodução acrítica de textos alheios, acredito que a exigência de criação de textos próprios, ou seja, com linguagem própria (mesmo que parafraseando as fontes), e a obrigatoriedade de informar o devido crédito e implantar o hiperlink, no caso de fontes existentes no ciberespaço, tenha conduzido os alunos a assumirem uma atitude de maior responsabilidade e respeito, mesmo porque o não cumprimento de tais exigências os coloca numa situação desconfortável e perigosa, visto que qualquer internauta – especialmente os autores dos textos fontes – poderão constatar a atitude anti-ética do plágio no caso deste ocorrer.

Outro problema enfrentado diz respeito à dificuldade de inclusão digital do aluno. Foram muitos que encontraram dificuldade no desenvolvimento da proposta por não terem computador em casa ou por não tê-lo conectado à Internet. A saída encontrada foi a de reunirem-se os membros de cada grupo periodicamente na casa de quem tivesse computador conectado à internet (especialmente na daqueles em que a conexão é ADSL) e de distribuir as atividade de edição levando isso em consideração, de modo que àqueles que não tinham o acesso caseiro à internet fizessem atividade tais como pesquisa em fontes bibliográticas, escritura e revisão dos textos.
Na condição de professor, o maior problema enfrentado foi a falta de tempo e condições físicas para acompanhar a produção de todos os blogs – um de Tópicos de Literatura Brasileira e doze de Literatura Brasileira: Poesia) e ainda produzir em dois blogs. Até metade do período da experiência conseguia acompanhar revisando as postagens e deixando comentários com indicações de problemas de redação ou diagramação a serem corrigidos, críticas, dicas e sugestões, porém isso foi se tornando cada vez mais difícil na medida em que os alunos iam pegando prática e gosto na execução do trabalho, passando a produzirem em maior escala. Para resolver este problema de controle da qualidade final das postagens, solicitei no término do semestre que cada grupo imprimisse suas postagens para que eu as lesse e corrigi-se. Feito isso, eram devolvidas para que fizessem as correções nas postagens e depois reimprimissem novamente para entrega do trabalho final contendo: uma introdução apresentando a proposta pedagógica e do blog em questão e uma conclusão apresentando os aspectos positivos e negativos da experiência.


ASPECTOS POSITIVOS

Salvo os problemas acima apontados, foram vários os aspectos positivos da estratégia, destacando-se:

a) A melhor qualidade dos seminários ao final da disciplina, uma vez que os alunos eram obrigados a estar continuamente em contato com os conteúdos dos mesmos, pesquisando-os e reelaborando-os para a realização das postagens semanais. Com tal estratégia evitou-se em grande medida a prática comum dos alunos prepararem o seminário “na última hora”, o que regra geral resulta em um desastre devido à falta de reflexão e debate entre os pares do grupo sobre o material pesquisado.

b) A prática de produção de outros gêneros textuais além daqueles tipicamente acadêmicos (tais como resenhas, artigos e monografias) e o desenvolvimento da consciência de que ao se escrever deve-se ter em mente o público-alvo e o suporte da publicação, de modo a adequar não somente a linguagem como também o gênero textual aos mesmos. Em outras palavras, por se tratar da produção de blogs que funcionam como revistas on-line, os alunos deixaram de escrever para o professor (como é a prática recorrente) e foram levados a refletir sobre a necessidade de utilizar outras linguagens além da acadêmica e de adequá-las – assim como a estruturação e diagramação textual – ao público leitor e ao espaço da tela, que é diferente do espaço de uma revista impressa ou mais ainda de um livro. Aos poucos, eles foram percebendo a necessidade de formularem textos com uma linguagem mais coloquial (sem abrir mão da correção gramatical), com menor extensão, com imagens e/ou outros recursos midiáticos (tais como arquivos de som ou vídeo) de forma a torná-los mais atraentes/sedutores e de compreensão facilitada a um público leigo no assunto.

c) A melhor circulação dos conteúdos dos seminários de cada grupo entre todos os alunos das turmas, posto que houvesse como um dos critérios de avaliação a obrigatoriedade de cada grupo visitar os blogs dos colegas e deixar comentários com sugestões, críticas, ou mesmo perguntas e divergências. Essa estratégia, além da possível curiosidade dos alunos em conhecer e acompanhar os blogs dos demais colegas, minimiza a prática recorrente dos grupos ficarem restritos ao estudo e à recepção dos conteúdos do seu seminário. Como todo professor sabe, é comum que os alunos não prestem muita atenção à apresentação dos seminários dos demais, uma vez preocupados na apresentação do seu, que é feita para o professor, e não para os colegas. E como a apresentação do seminário é apenas um momento no desenrolar do curso, a aquisição dos conteúdos tratados neles fica por demais prejudicada. Entretanto, com a prática de visitas aos blogs dos outros grupos, a transmissão e troca dos conteúdos desenvolvidos entre os pares não fica restrita ao momento do seminário.

d) O desenvolvimento do espírito de equipe, uma vez que a produção dos blogs, sendo similar a de uma revista, leva-os a perceber importância e a necessidade de divisão do trabalho em diversas fases/atividades do trabalho de edição (tais como pesquisa, redação, revisão e diagramação).

e) A valorização do trabalho escolar, que deixa de ter um fim em si mesmo. Com isso, o trabalho não se esgota na sua entrega ou realização com vistas apenas à avaliação, pois o aluno deixa de realizar o trabalho para o professor e para a obtenção de uma nota, passando a escrever para um público leitor real. Além desse aspecto positivo, o resultado final permanece disponível a todo internauta, podendo servir aos professores de língua e literatura (ou outras artes) como apoio didático.

f) Maior interatividade entre professor e aluno, que deixa a atitude passiva e passa a produzir conhecimento, contribuindo para o curso durante todo o tempo, e não apenas nos momentos de seminário ou nas raras contribuições em sala, posto que são poucos que intervém com perguntas, comentários, discussões etc. – até porque muitos que gostariam de fazê-lo às vezes não o fazem devido à rejeição que poderão sofrer de alguns colegas. Em várias ocasiões aproveitei as postagens de alguns grupos para o desenvolvimento de aulas, trabalhando com a leitura e discussão de textos artísticos e críticos feitas por eles – o que, às vezes, levava-os a refazerem suas postagens ou mesmo a fazerem novas postagens sobre o assunto ou texto em discussão. Isso aconteceu de forma muito interessante e intensa na disciplina de Tópicos de Literatura Brasileira, em que a discussão inicial sobre o conto “Botão de Rosa”, de Murilo Rubião, feita com base em uma postagem do grupo que estava pesquisando sobre o conto fantástico, levou o mesmo a produzir mais três, aproveitando na redação dos novos textos as discussões realizadas em classe, incorporando opiniões, leituras e informações feitas pelo professor ou por colegas. Com essa prática, se rompe a unidirecionalidade do ensino bancário favorecendo ao aluno vivenciar a construção do conhecimento como um processo vivo, dinâmico e dialógico.


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Como pode-se ver, a experiência realizada contemplou o uso dos blogs tanto como recurso assim como estratégia, conforme propõe Maria João Gomes (2005) e António Marcelino Lopes em estudo conjunto com ela - conforme apresentado na postagem anterior sobre "O blog como ferramento de ensino - problemas e proposições" e especialmente na postagem "O uso de blogs no ensino de literatura e redação", de setembro de 2009 . Aliás, acredito ter dado um passo além das proposições da pesquisadora portuguesa na medida em que se conciliou num mesmo blog as duas possibilidades de ação ao mesmo tempo em que se superou o uso deste como um portfólio por parte dos alunos.

Por fim, é importante informar que a relação dos temas desenvolvidos nos seminários da disciplina de Literatura Brasileira: Poesia – assim como o URL de cada blog produzido – encontra-se na página de descrição do blog-mãe Poetas do Brasil: http://poetasdobrasil.arteblog.com.br/p/profil. Também é possível acessarmos estes blogs através da relação dos “Favoritos” no menu do blog-mãe. Apesar de todos apresentarem um resultado final satisfatório, gostaria de destacar os três que considero os melhores devido à excelência alcançada e o perfil voltado para uma educação étnico-racial:

O blog como ferramenta de ensino – problemas e proposições

Na maioria das vezes o que se observa é a utilização do computador como pretexto para o ensino do manuseio do equipamento, para a digitação de textos, substituindo assim a máquina de escrever, e a utilização de programas de apresentação de slides. Atividades que nas palavras de Coscarelli “podem transformar o computador em um lindo quadro que não é mais de giz nem é negro, mas que vai funcionar em sala de aula da mesma forma que as tão conhecidas lousas, que servem de suporte para o professor apresentar todo o saber” (2007: 26). (GUIMARÃES, 2008, p. 715).


Podemos concluir que os professores se utilizam das tecnologias disponíveis, e no escopo deste trabalho o computador e a internet, apenas para suas necessidades básicas. O computador é utilizado para a reprodução de materiais, uma junção de mimeógrafo e máquina de escrever. A internet é utilizada para obtenção de informação geral e “elaboração” de materiais. Impera entre os professores a visão da internet como a virtualização da enciclopédia, sem qualquer vinculação com a possibilidade de seu uso para o aperfeiçoamento profissional.
O que se percebe no diálogo com os professores é que embora reconheçam as varias possibilidades apresentadas pela internet no campo dos estudos literários, eles não vêem essas possibilidades como algo passível de realização. (GUIMARÃES, 2008, p. 718).


A aquisição da informação, dos dados, dependerá cada vez menos do professor. As tecnologias podem trazer hoje dados, imagens, resumos de forma rápida e atraente. O papel do professor – o papel principal – é ajudar o aluno a interpretar esses dados, a relacioná-los, a contextualizá-los. Dessa forma, o papel do professor passará para o de orientador e facilitador do conhecimento. (MORAN, 2007)


As utilizações potenciais dos blogs como recurso e como estratégia pedagógica são muito diversificadas e sobre elas faremos de seguida algumas considerações. Embora a distinção entre os blogs enquanto “recurso pedagógico” e os blogs enquanto “estratégia pedagógica” nem sempre seja clara e, frequentemente, seja de natureza algo arbitrária, vamos adoptá-la para efeitos de sistematização da nossa exposição. Enquanto recurso pedagógico os blogs podem ser:
.....a) Um espaço de acesso a informação especializada.
.....b) Um espaço de disponibilização de informação por parte do professor.
Enquanto “estratégia pedagógica” os blogs podem assumir a forma de:
.....a) Um portfólio digital.
.....b) Um espaço de intercâmbio e colaboração.
.....c) Um espaço de debate – role playing.
.....d) Um espaço de integração.
(GOMES, 2005, p. 312-313)


A utilização do Blog como ferramenta pedagógica [Oficina do Blog 2006] pode trazer diversos benefícios no processo de ensino-aprendizagem. Dentre os benefícios podem ser citados: a motivação (acompanhar a atualização da página todos os dias para ver se existem novidades), o trabalho em equipe (grupos trabalhando juntos para a elaboração de um Blog comum), o incentivo à pesquisa (a busca de conteúdos (novas informações, textos) em outras fontes para enriquecer o Blog), o desenvolvimento da criatividade (personalização do Blog: com links, ilustrações, etc.), a sensação de competitividade (os endereços dos Blogs de todos os grupos da turma ficam disponíveis), dentre outros.
Como um método de aprendizagem, o Blog ainda é considerado uma novidade na prática de ensino, porém aos poucos está ganhando espaço por ser uma técnica gratuita, de simples utilização e grande atrativo para o público infanto-juvenil. É um método classificado como simples pelo fato de que o usuário não precisa saber alguma linguagem de programação para criar seu próprio Blog, portanto os professores que ministram quaisquer disciplinas da grade curricular da escola podem facilmente manuseá-lo e, assim, preparar algumas aulas diferenciadas para apresentar seus conteúdos. Além disso, pode ser um novo canal de comunicação para a educação, incentivando o convívio e a aprendizagem de novas tecnologias. (BRUSAMARELO et alli., 2006, p. 347)


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O trabalho com blogs feitos coletivamente pelos alunos ou em conjunto com o professor pode ser uma experiência muito gratificante. Para colocar em prática as leituras e reflexões que venho fazendo, faz duas semanas que iniciei com os ...


REFERÊNCIAS

BRUSAMARELO et al. A Utilização do Blog como Ferramenta de Ensino-Aprendizagem para o Ensino Médio na Escola Estadual Major Otávio Pitaluga. In: Anais do XXVI Congresso da SBC. Campo Grande/MS, 2006, p. 345–348. Disponível em: http://www.br-ie.org/pub/index.php/wie/article/viewFile/920/906 - acesso em 8/9/2010.

COSCARELLI, Carla V. Alfabetização e letramento digital. COSCARELLI, Carla V. e RIBEIRO, Ana E. (org). Letramento digital: aspectos sociais e possibilidades pedagógicas. 2. ed. Belo Horizonte: CEALE; Autêntica, 2007. p. 25-40.

GOMES, M. J. Blogs: um recurso e uma estratégia pedagógica. In: VII Simpósio Internacional de Informática Educativa. Leiria/Portugal, Novembro, 2005. Disponível em: https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/4499/1/Blogs-final.pdf. - Acesso em 10 de agosto de 2009.

GOMES, Maria João; LOPES, António Marcelino. Blogues escolares: quando, como e por quê? Disponível em:
https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/6487/1/gomes2007.pdf. - Acesso em 10 de agosto de 2009.

GUIMARÃES, José Ferreira. Internet e ensino de literatura: o que pensam os professores? In: II Conali. Anais. Maringá/PR:UEM. 2008. p. 714-719. (CD-Room)

MORAN, José M. Modificar a forma de ensinar. In: A educação que desejamos: Novos desafios e como chegar lá. São Paulo: Papirus, 2007. p. 30-32.

Cibercultura e Formação de Professores

Todos aqueles que estão familiarizados com a dinâmica da educação sabem, há um bom tempo, que os professores não são a sede de um saber inequívoco que deve ser passado a uma passiva sala repleta de alunos que receberiam o conhecimento como um saco vazio à espera de quem o preencha. O processo de ensino-aprendizagem é dinâmico e se traduz em uma via de mão dupla na qual tanto o educador quanto o educando desempenham papéis importantes e ativos. Embora esse discurso seja extremamente familiar, ainda encontramos educadores que demonstram resistência diante desse processo de descentralização valorativa que reconhece os atores da educação em termos que, embora possam ser distintos, atualizam-se na mesma importância e relevância.

No caso das demandas realmente atuais, tal cenário potencialmente complicado é ainda mais evidente, uma vez que a natureza do ciberespaço e da cibercultura descentraliza ainda mais, em termos tanto valorativos quanto informacionais, todo o contexto da educação. O que considerar hoje como informação válida ou referendada? Como determinar o limite entre a busca de fontes e o plágio? Em que medida a internet atua como inimiga ou aliada do professor no momento em que este se depara com um aluno completamente acostumado a uma busca e disseminação de informações em tempo real e em constante atualização? Essas são questões que nos assaltam por vezes e, no caso de professores formadores de leitores e escritores (ainda que sem a conotação estritamente “artística” do termo), algumas outras ainda podem surgir, tais como: qual o espaço que restou à literatura tradicional no contexto cibercultural? O ato de leitura e o ato de escrita estão se perdendo ou se transformando? O pode e o que deve fazer o professor diante desse quadro ainda repleto de incertezas? Essas são algumas outras questões que podem surgir, mas definitivamente não são as únicas.

Para buscar respondê-las ou ao menos problematizá-las, em um terceiro momento de nosso curso, partamos novamente de alguns trechos de obras que tocam o tema e que nos ajudarão em nossa discussão.

Sobre a virtualização do texto e da leitura:

Pode-se dizer que um ato de leitura é uma atualização das significações de um texto, atualização e não realização, já que a interpretação comporta uma parte não eliminável de criação. A hipercontextualização é o movimento inverso da leitura, no sentido em que produz, a partir de um texto inicial, uma reserva textual e instrumentos de composição graças aos quais um navegador poderá projetar uma quantidade de outros textos. O texto é transformado em problemática textual. Porém, mais uma vez, só há problemática se considerarmos acoplamentos humanos-máquinas e não processos informáticos apenas. Então se pode falar de virtualização e não mais apenas de potencialização. De fato, o hipertexto não se deduz logicamente do texto fonte. Ele resulta de uma série de decisões: regulagem do tamanho dos nós ou dos módulos elementares, agenciamento das conexões, estrutura da interface da navegação, etc. No caso de uma hipercontextualização automática, essas escolhas (a invenção desse hipertexto particular) vão intervir ao nível da concepção e da seleção do programa. (LÉVY, 2001, p. 41-2)


Sobre a relação do texto com o computador:

Considerar o computador apenas como um instrumento a mais para produzir textos, sons ou imagens sobre suporte fixo (papel, película, fita magnética) equivale a negar sua fecundidade propriamente cultural, ou seja, o aparecimento de novos gêneros ligados à interatividade. […] O computador é, portanto, antes de tudo um operador de potencialização da informação. (LÉVY, 2001, p. 41)

Sobre o hipertexto:

Um hipertexto é uma matriz de textos potenciais, sendo que alguns deles vão se realizar sob o efeito da interação com um usuário. Nenhuma diferença se introduz entre um texto possível da combinatória e um texto real que será lido na tela. […] O virtual só eclode com a entrada da subjetividade humana no circuito, quando num mesmo movimento surgem a indeterminação do sentido e a propensão do texto a significar, tensão que uma atualização, ou seja, uma interpretação, resolverá na leitura. (LÉVY, 2001, p. 40)

Sobre a atuação do professor e os recursos tecnológicos:

Infelizmente, uma parte dos educadores adota uma certa tecnologia apenas num dado momento de sua carreira: a televisão, o rádio, o retroprojetor, o projetor de slides e, mais recentemente, o computador, recursos que acabam sendo “parafernálias eletrônicas” que o professor utiliza apenas para não ser considerado “quadrado”, ou para ter maior segurança, ou para obter status perante seus colegas. E a outra parte lamenta-se por não ter em sua escola tecnologias disponíveis: “eu quero me atualizar, mas não me dão condições…”. Notamos que, na maioria dos casos em que esses equipamentos são adquiridos, acabam sendo jogados em um depósito, onde, por fim, deterioram-se. Frequentemente, lamenta-se pela sorte dessa aparelhagem eletrônica “tão generosamente cedida pelo Estado” ou “adquirida com tantos sacrifícios pelas Associações de Pais e Mestres”. Fala-se em desperdício, mas raramente se pergunta o porquê desse destino.

Grande parte da má utilização das tecnologias educacionais, ao nosso ver, deve-se ao fato de muitos professores ainda estarem presos à preocupação com equipamentos e materiais em detrimento de suas implicações na aprendizagem. De um lado, as inovações – referentes a novos métodos de ensino ou ao emprego da televisão, de slides, de vídeo e, agora, do computador – têm esse apelo de deslumbramento; de outro, elas não são integradas facilmente ao cotidiano escolar. (BRITO & PURIFICAÇÃO, 2008, p. 40-1)


Referências

BRITO, G.; PURIFICAÇÃO, I. Educação e novas tecnologias: um repensar. Curitiba: Ipbex, 2008.

LÉVY, P. O que é o virtual? Tradução Paulo Neves. São Paulo: 34, 2001.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Educação étnico-racial na escola

Resolução fixa regras para formação de equipes multidisciplinares de educação etnicorracial
http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/diaadia/diadia/modules/noticias/index.php?PHPSESSID=2010091001164416
9/9/2010 20:16:23

A Secretaria de Educação do Paraná publicou a Resolução n° 3399/2010–GS/SEED, estabelecendo regras para formação das equipes multidisciplinares para atuar na educação das relações etnicorraciais na rede estadual de educação básica e nos Núcleos Regionais de Educação (NREs). A resolução tem por finalidade auxiliar nas ações da educação das relações etnicorraciais no ensino de História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena em todas as escolas da rede pública do Estado. Foi publicada no Diário Oficial do Poder Executivo do Estado do Paraná do dia 25/08/2010.

Cassius Marcelus Cruz, coordenador do Núcleo de Educação das Relações Etnicorraciais e Afrodescendência (Nerea) da Secretaria de Estado da Educação (SEED), esclarece que, no Paraná, as equipes já vêm gradativamente sendo formadas nas escolas “O que não existia era uma orientação precisa para este trabalho e a resolução vem para institucionalizar um grupo responsável pela implementação das ações ligadas à Lei 10.639/2003”, explica.

A definição das regras de constituição das equipes foi baseada nas discussões do Fórum Permanente de Educação e Diversidade Etnicorracial do Paraná (FPEDER/PR), que é composto por várias instituições, entre elas a APP-Sindicato, ACNAP, IPAD, UNEGRO, Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB-UFPR), NEAA-UEL, SISMMAC e a SEED.

Paulo Vinicius Baptista da Silva, coordenador do NEAB/UFPR, esclarece que a necessidade da formação das equipes multidisciplinares já se observava mesmo antes do lançamento do plano nacional. “A necessidade de uma formação específica para as equipes ocorreu no início do processo, determinado pela Deliberação 04/2006 do Conselho Estadual de Educação do Paraná CEE-PR, que tem como objetivo acompanhar e incentivar a efetivação da Lei 10639/03 “Diria que os processos foram paralelos e com alguma comunicação”, destaca.

O professor afirma ainda, que foram realizados seminários regionais e evento nacional para construção do Plano Nacional de Implementação da Lei 10.639/03. “Tanto a comissão técnico-científica de assessoramento do MEC-CADARA, quanto o FPEDER/PR participaram ativamente em todo esse processo. Em período coincidente, o Fórum do Paraná veio construindo a proposta para normatizar a deliberação do CEE-PR, de forma a fortalecer o processo de estruturação de trabalhos nas escolas por meio das equipes multidisciplinares”, afirma.

Segundo Paulo Vinícius, a formação das equipes no Paraná se diferencia, pois ela ocorrerá em todas as escolas. Ele diz que o processo no Estado está bastante adiantado. “Essa discussão teve início há mais tempo e, com a resolução, a efetivação e fiscalização destas equipes significa um avanço rumo a implementação efetiva da educação das relações etnicorracias e ensino de história e cultura afro-brasileiras”.

O NEREA fará o acompanhamento das atividades, por meio de um sistema criado especificamente para isso, que estará disponível no sítio www.diaadia.pr.gov.br/nerea. Essa visibilidade das ações é vista de forma positiva pelo coordenador. “É uma maneira de exercer também um controle social sobre a implementação, já que qualquer pessoa terá acesso ao que vem sendo desenvolvido nas escolas para implementação da Lei”. Segundo o Chefe do Departamento da Diversidade da SEED, Wagner Roberto do Amaral, as equipes multidisciplinares são espaços pedagógicos fundamentais nas escolas estaduais, sendo responsáveis em pautar e refletir as diretrizes curriculares para a educação das relações etnicorraciais e para o ensino de história e cultura africana, afrobrasileira e indígena. “Essa é uma estratégia para refletirmos e superarmos as manifestações e atitudes de preconceito e discriminação racial ainda existentes nas escolas”, define.

Composição – Para compor as equipes, será necessário observar o art. 3º da Resolução 3399/2010, considerando o porte de cada estabelecimento de ensino. Professores das disciplinas da base nacional comum e da Educação Profissional poderão integrar as equipes, assim como os demais educadores que atuam nas escolas.

Vantagens – Os participantes das equipes multidisciplinares, após realizados os encontros e comprovada sua participação, receberão certificação para progressão no plano de carreira do magistério público do Paraná, conforme resolução própria, que dispõe sobre a pontuação dos eventos de formação e/ou qualificação profissional e produção do/da professor/a da Rede Estadual de Educação Básica do Estado do Paraná.

Critérios – Poderão participar professores/as e funcionários/as, que serão aclamados/as em assembléia, respeitando os critérios abaixo :

- em exercício no estabelecimento de ensino por no mínimo 3 (três) meses (QPM e PSS);

- apresentar propostas de ações para implementação da Educação das Relações Etnico-Raciais ou História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e/ou Indígena;

A resolução destaca também outros critérios, como a importância dos candidatos terem participado de eventos de formação continuada sobre a temática e ainda ter desenvolvido trabalhos ou ações voltadas à(s) temática(s) no estabelecimento de ensino ou em outras áreas de âmbito educacional.


VEJA: FÓRUM PERMANENTE DE EDUCAÇÃO ETNICO-RACIAL SE REUNIU HOJE - 10/9/2010 18:31:00

Aconteceu hoje (10) uma sessão plenária do Fórum Permanente de Educação e Diversidade Etnicorracial do Paraná (FPEDER), do qual a Secretaria de Estado da Educação (SEED) participa. O objetivo do encontro foi a apresentação do regimento interno do FPEDER e apresentação das novas instituições e entidades da sociedade civil que aderiram ao Fórum. O evento ocorreu na Fundação Escola do Ministério Público do Estado do Paraná, em Curitiba, e foi aberta a todas as entidades dos diferentes movimentos sociais e instituições públicas. [Para ler o resto, clique aqui.]

sábado, 15 de maio de 2010

Grupo de Poesia Infantil - Salvador (Bahia)

Poesia Baiana - Grupo de Poesia Infantil - Projeto União Integração Cidade Nova. No vídeo vemos crianças declamando "E agora José?", de Carlos Drummond de Andrade. A produção é de Acácia Novaes, Jeniffer Santos e Priscila Bastos, atividade realizada como trabalho de conclusão do curso de Jornalismo da Unijorge - Salvador/BA e divulgado no site Poesia Baiana: http://www.poesiabaiana.com.br/

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Flávio Paiva e Bia Bedran falam de literatura e música para crianças

A cantora, compositora e educadora musical Bia Bedran e o jornalista e escritor cearense Flávio Paiva falam no Programa Literato, do BNB, sobre a relação existente entre música e literatura a partir do livro/cd infantil "Benedito Bacurau - o pássaro que não nasceu de um ovo", obra de Flávio Paiva com ilustrações do artista plástico Estrigas, narração e ilustrações musicais feitas pelo multiartista pernambucano Antônio Nóbrega. Prefácio do cronista e psicanalista Rubem Alves.

O Programa Literato é um arealização do Centro Cultural Banco do Nordeste, no qual autores nordestinos, tais como Ariano Suassuna, Ana Miranda, Ednardo, Antonio Nóbrega e Bráulio Tavares, apresentam suas obras e debatem suas ideias com os leitores. O vídeo acima foi gravado no cineteatro do Centro Cultural Banco do Nordeste em Fortaleza-CE, no dia 17/12/2005.

QUEM É FLÁVIO PAIVA?

"Flávio Paiva é jornalista, compositor e escritor, nascido em Independência (CE). Com seu livro/CD "Flor de Maravilha", inaugurou um processo inusitado de diálogo entre a literatura e a música, como recurso de intertextualidade, por meio do qual instiga o leitor à criação.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Fanfics e oficinas literárias




VARGAS, M. L. B. O fenômeno fanfiction: novas leituras e escrituras em meio eletrônico. Passo Fundo: Ed. Universidade de Passo Fundo, 2005.


O livro de Maria Lúcia Vargas, resultado de sua pesquisa de mestrado, é uma leitura deliciosa e ótima para romper com alguns preconceitos com respeito ao gosto pela literatura de massa. Afinal, quem não começou sua jornada no mundo das letras por tais caminhos? Pra já ter iniciado com profundidade só mesmo sendo muito chato, com o perdão do trocadilho...
Em seu estudo, Maria Lúcia traça inicialmente uma história da fanfiction nos Estados Unidos e depois se debruça sobre o fenômeno no Brasil, procurando compreendê-lo como uma forma de letramento literário. Isso é possível porque nos sites de fanfic (como se costuma escrever no meio) ocorre a prática de reescritura de obras literárias por parte de seus fãs (daí advindo a expressão) acompanhada e orientada por membros mais experientes da comunidade - que ajudam os iniciantes discutindo os textos, fazendo críticas, dando sugestões e até mesmo, em alguns casos, censurando-os...
Entre as dez práticas pesquisadas inicialmente por Henry Jenkis nas comunidades do gênero nos Estados Unidos e citadas por Maria Lúcia Vargas em seu estudo, aponto para a utilização de oito. Os professores poderão aproveitá-las tanto para exercícios de reescritura de textos de literatura de massa – ao gosto dos alunos – como de obras canônicas, assim como para a prática de escrituras e reescrituras de textos dos próprios oficineiros, independentemente de seguir qualquer modelo literário já existente (como acontece no universo das fanfictions):

1) Recontextualização: consiste na escrita de narrativas que preenchem lacunas existentes no texto original.
2) Expansão da linha temporal: consiste na escrita de narrativas cuja ação está aquém ou além da linha de tempo da narrativa original.
3) Refocalização: consiste na escrita de narrativas que centram sua história em um personagem secundário na trama original.
4) Realinhamento moral: consiste numa refocalização levada ao extremo na medida em que “o universo moral do texto original é questionado ou mesmo invertido (VARGAS, 2005, p. 64). Aqui se abre a perspectiva para o trabalho com a paródia.
5) Troca de gênero: consiste na escrita de narrativas em que se mantém os personagens e demais elementos da narrativa original, mas se troca o gênero, passando, por exemplo, de drama ou romance (entendido aqui como história de amor) para comédia ou sátira. Aqui também se abre a perspectiva para o trabalho com a paródia.
6) Narrativas cruzadas (ou cross overs): consiste na escrita de narrativas que cruzem (misturem) histórias de diferentes livros.
7) Deslocamento de personagens: consiste na escrita de narrativas em que ocorre o deslocamento de personagens de uma série ou obra para o contexto de outra obra ou série.
8) Intensificação emocional: consiste na escrita de uma narrativa em que os personagens passam a viver um conflito novo e intenso, que não se encontra necessariamente no texto original.
Para quem quiser saber mais sobre o universo das fanfictions nos Estados Unidos e no Brasil, assim como sua importância para o letramento literário, fica o convite para a leitura do livro.

Marciano Lopes

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Duas experiências com blogs no ensino de literatura brasileira

O trabalho com blogs feitos coletivamente pelos alunos ou em conjunto com o professor pode ser uma experiência muito gratificante. Para colocar em prática as leituras e reflexões que venho fazendo, faz duas semanas que iniciei com os alunos de três turmas do curso de Letras da UEM uma proposta de produção de blogs aliados ao trabalho de seminário em sala de aula.






Nas turmas de Literatura Brasileira: Poesia, do 2º ano de Letras noturno (habilitações duplas), formaram-se grupos de cinco membros, cabendo a cada grupo manter um blog cujo tema é o ponto sorteado para o seminário da última avaliação. Além dos blogs dos grupos, criei um gerenciado só por mim para a disciplina (Poetas do Brasil), tendo por objetivo tratar dos poetas da fase colonial até o modernismo (que será o período estudado em classe), ficando o período posterior para eles tratarem nos blogs e no seminário. Dessa forma, é possível minimizar as lacunas impreenchíveis devido ao reduzidíssimo tempo de um semestre para estudar toda a poesia brasileira desde o período colonial até a contemporaneidade.







Com a terceira turma, da disciplina de Tópicos de Literatura Brasileira, em que estaremos estudando o conto contemporâneo pós 70, resolvemos fazer um único blog, que vai ser alimentado por mim e pelos grupos, que também receberam um ponto temático cada um. Trata-se do blog Contos e encontros, no qual minha parte é a de postar os textos relativos aos conteúdos que estarão sendo trabalhados em classe.

As vantagens com relação à avaliação tradicional dividida em prova escrita, artigo e seminário são várias, mas falarei sobre elas em um futuro texto. Somente adianto alguns critérios de avaliação estabelecidos e que serão fundamentais para garantir a qualidade da produção, a pesquisa contínua sobre o tema (evitando aqueles trabalhos feitos na última hora) e a interatividade (de modo que cada grupo não fique com suas leituras restritas ao seu tema, como acontece nos seminários em geral):
a) número mínimo de postagens: uma por semana;
b) variedade nos tipos e gêneros textuais assim como nas mídias utilizadas em cada postagem, as quais têm diferentes pesos na avaliação conforme a quantidade de informação agregada à(s) original(is),
c) interatividade com os demais grupos (cada um deve visitar os outros blogs ou as postagens dos outros grupos – no caso do trabalho coletivo em um único blog – e deixar recados, comentários, críticas, perguntas etc.).

Acompanhem o trabalho. Visitem o "blog-mãe" Poetas do Brasil - que levará através dos links favoritos e das visitas mais recentes aos demais blogs produzidos pelos grupos das duas turmas de Literatura Brasileira: Poesia. Visitem também o blog Contos e encontros, da disciplina de Tópicos de Literatura Brasileira, em que todos trabalhamos coletivamente em um único espaço.

Endereços:




Marciano Lopes e Silva

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O uso de blogs no ensino de literatura e redação

O ciberespaço com sua organização em rede, que permite os enlaces intra e extratextuais que caracterizam o hipertexto, potencializa o desejo de um ensino interativo e dialógico capaz de romper com a passividade do aluno, tornando-o um construtor do conhecimento juntamente com o professor, que deixa de ser um simples transmissor. É nessa perspectiva que se encontra a proposta de Maria João Gomes (2005) quanto à utilização de blogs no ensino. Segundo ela, eles podem ser usados como recurso ou estratégia pedagógica. Enquanto recurso são possíveis os seguintes usos pedagógicos dos blogs:

a) um espaço de acesso à informação especializada, seja pelo professor ou pelo aluno;
b) um espaço para o professor disponibilizar informações, ou seja, funciona como um livro on-line onde ele vai postando os textos a serem estudados na classe ou fora dela.

Enquanto estratégia pedagógica, podem ser utilizados como:

c) um potfólio digital, ou seja, espécie de diário de classe do aluno (ou de um grupo de alunos) onde se registra o “acompanhamento e a reflexão sobre as actividades e temáticas abordadas ao longo das aulas” (GOMES, 2005, p. 314);
d) um espaço de intercâmbio e colaboração em que alunos e professores de diferentes escolas, muitas vezes em regiões isoladas, possam interagir em torno de um projeto ou problema comum;
e) um espaço de debate e simulação de debate (excelente para aulas de produção de textos ou debate de ideias);
f) um espaço de integração, possibilitando ao aluno afastado da escola ou da sala de aula acompanhar os conteúdos estudados e interagir com o professor e a classe.

A diferença entre usá-los como recurso ou estratégia está relacionada com a relação que se estabelece entre o professor e os alunos no processo de ensino e aprendizagem. No primeiro caso, o seu uso privilegia o pólo do professor no papel ativo de produzir e postar os conteúdos, cabendo aos alunos lê-los e, no máximo, comentá-los; no segundo, privilegia o pólo dos alunos, a quem cabe a tarefa de produzir os textos e postá-los para comentários e orientações do professor. Nesse caso, o professor incentiva os alunos para que sejam os responsáveis por todo o processo de construção do conhecimento, que abrange a pesquisa, a seleção, a reorganização e a síntese das informações a serem postadas. Entreos dois pólos, há muitas combinações possíveis, entre os quais acrescentaria o de criar-se um blog para uso comum do professor e dos alunos, todos se responsabilizando pelo trabalho de pesquisa, seleção, organização e produção de postagens em torno de temas estabelecidos em comum acordo.

Desenvolver o ensino de redação e a produção textual no ciberespaço torna-se muito mais dinâmico e produtivo graças a sua estrutura. Conforme observa Daniel Cassany (s/d, p. 7):

Em conjunto, con la estructura hiper e inter-textual el escrito se convierte em um objeto comunicativo más abierto (que admite actualizaciones continuadas), versátil (permite diversidad de itinerarios), interconectado (relacionado com el resto de recursos enciclopédicos de la red) y significativo (multiplica sus posibilidades interpretativas).

Por tais características, a realização de oficinas de produção de textos on-line – sejam literários ou não – é algo bastante interessante. E o trabalho com blogs feitos coletivamente pelos alunos ou em conjunto com o professor pode ser uma experiência muito gratificante.
Marciano Lopes
Referências:

CASSANI, D. De lo analógico a lo digital. El futuro de La enseñanza de la composición. Lectura y vida. Revista latinoamericana de lectura. Año 21, n. 2, junio, 2000. Disponível em www.cerlalc.org/redplanes/.../Cassany_Analogica_a_digital.pdf. - Acesso em 10 de agosto de 2009.

GOMES, M. J. Blogs: um recurso e uma estratégia pedagógica. In: VII Simpósio Internacional de Informática Educativa. Leiria/Portugal, Novembro, 2005. Disponível em https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/4499/1/Blogs-final.pdf. - Acesso em 10 de agosto de 2009.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Publicações on-line X Publicações impressas

Com a possibilidade de qualquer usuário conectado à internet criar gratuitamente contas de e-mail e páginas com seu perfil (onde podem ser disponibilizados diferentes mídias), blogs, “canais de TV” (no You Tube) e comunidades em sites de servidores ou de relacionamento, tal como o Orkut, além de poder postar sua opinião sobre qualquer assunto em fóruns, blogs e sites ou até mesmo seu texto literário em sites que funcionam como revistas eletrônicas, criou-se uma "cultura de participação" (JENKIS apud VARGAS, 2005) e do “faça você mesmo”, cujo fruto mais significativo talvez seja a Wikipédia. Se não considerarmos o aspecto das vendas – e do consequente retorno financeiro ao autor – no que diz respeito ao sistema de produção e circulação da literatura em uma sociedade capitalista, é possível considerarmos que a internet tornou possível a qualquer pessoa editar e divulgar seus textos sem ter que passar pela intermediação das editoras, distribuidoras e livrarias, assim tornando-se um autor no mercado dos bens simbólicos do campo literário. O que, é claro, não quer dizer que esse autor vá ser (re)conhecido, pois, no mínimo, é necessário alguma estratégia de divulgação/promoção que leve as pessoas ao seu site ou blog “a fim de que o texto publicado não fique num túmulo internético”, conforme observa, com razão, José Luis Jobim (2005, p. 129). Mas isso não é argumento contra o fato de a internet abrir espaço para qualquer um publicar-se, pois o mesmo pode ocorrer com a produção independente ou até mesmo com aquela feita por alguma editora (re)conhecida que “carimbe o passaporte” para o campo literário – carimbo que nem sempre é uma garantia de qualidade. Sistematizando, portanto, as vantagens que o meio da web apresenta com relação às publicações impressas (sejam feitas por editoras ou gráficas, de modo independente), arrolamos os seguintes aspectos:

1. Acesso amplo à publicação - A web disponibiliza novos espaços de publicação – sejam blogs, disponíveis gratuitamente para o internauta (mesmo os pouco experientes), ou sites. Nesse formato é que, em geral, se encontram as revistas literárias. Para publicar, o usuário pode apresentar seu texto para ser avaliado pelos editores ou, após cadastrar-se e receber uma senha para administrar o espaço que lhe é disponibilizado, inserir por conta própria seu texto – que estará on-line em questão de segundos, conforme a velocidade de conexão.
2. Edição de revistas com baixíssimo custo para os editores – A criação de sites que funcionem como revistas eletrônicas tem custos extremamente baixos, limitados à manutenção de servidor e domínio, além da aquisição de softwares que sejam necessários ao trabalho de edição.
3. Alcance mundial de público - A publicação de impressos (livros, revistas, etc.) necessita de distribuição, que no caso brasileiro sempre é muito limitada. Basta lembrar que o número de livrarias e bibliotecas no país é extremamente irrisório – para não se dizer ridículo. Em contrapartida, publicar no ciberespaço é ter a garantia de ser lido em qualquer lugar do planeta que tenha um computador conectado à web.
4. Interatividade autor-leitor no processo de criação - A publicação no ciberespaço possibilita uma interação com os leitores através do espaço de comentários, fóruns ou chats, o que não acontece quando o escritor publica apenas pelo meio impresso. No caso da publicação de um romance em blogs ou sites, assim como se fazia nos folhetins dos jornais nos séculos XVIII e XIX, o autor tem a vantagem de acompanhar diretamente os comentários dos leitores e de interagir/dialogar com eles durante o processo de escritura. Um caso exemplar e surpreendente, além dos sites de fanfictions, é o experimento de elaboração da comédia policial Os anjos de Badaró, de Mario Prata, escrita com a colaboração dos leitores de seu site (http://marioprataonline.com.br) durante seis meses.
5. Recursos multimídia - Uma revista eletrônica (assim como um e-book) pode dispor de recursos tais como imagens em movimento, vídeos e arquivos de som, além dos hiperlinks, o que no caso de uma publicação impressa não acontece - salvo outras mídias lhe acompanhem como encarte, mas isso não garante uma interação orgânica de imagens e sons com o texto, ou seja, a incorporação dessas outras linguagens na estrutura do texto.
6. Criação de redes de afinidades entre escritores e/ou leitores – A publicação em sites ou blogs possibilita através de links com outras publicações ou autores afins o estabelecimento de redes, o que favorece a divulgação do trabalho e o estabelecimento de comunidades de produtores e leitores. Exemplos são o Portal Literal (cuja curadoria é de Heloísa Buarque de Hollanda) e o blog As escolhas afectivas, criado pelo argentino Aníbal Crístobo, e que propõe uma curadoria autogestionada de poesia “de forma que um autor publique seus poemas e também mencione outros autores, que, por sua vez, farão o mesmo” (GUADALUPE, 2008, p. 698).

É claro que há algumas desvantagens, mas são bastante reduzidas e relativas. A mais evidente é o fato das publicações on-line serem bastante fugazes, ou seja, a garantia de perenidade dos textos digitais é muito menor do que aqueles impressos. Basta que o site ou o servidor desapareça para que se perca a(s) informação (ões) nele depositada(s). Mas essa desvantagem, quando confrontada com as inúmeras vantagens, não é tão relevante, até porque há formas de "driblar" esse perigo (publicando em diferentes espaços ou arquivando os textos para publicá-los novamente em outro, caso se perca o sítio original). Além do mais, a pequena tiragem de livros (pensemos nas edições esgotadas, o que não acontece jamais com um texto on-line) e o difícil acesso a eles parece ser um obstáculo bem maior.

Marciano Lopes e Silva
Referências:

GUADALUPE, A. A literatura brasileira em tempos de internet: blogs, microblogs e outros logs. In: SILVA, M. L e. et all. (org.). II Conali. Anais. Maringá/PR:UEM. 2008. p. 693-703. (CD-Room)

JOBIM, J. L. Autoria, leituras e bibliotecas no mundo digital. In: JOBIM, J. L. (org.). Literatura e informática. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2005. p. 115-131.

VARGAS, M. L. B. O fenômeno fanfiction: novas leituras e escrituras em meio eletrônico. Passo Fundo: Ed. Universidade de Passo Fundo, 2005.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Três dicas de blogs e portais de educação

1) Portal Ensinando - Objetivo: pretende consolidar-se como um porto para os professores e pedagogos navegantes da internet. Para isso tem trabalhado para construir uma forte imagem de eficiência, confiabilidade e agilidade. Tem firmado parcerias com instituições renomadas e pretende em médio prazo atingir de forma mais abrangente os países de língua portuguesa.Pretendemos crescer consistentemente, construindo uma sólida rede de parceiros e colaboradores satisfeitos com nossos serviços. A organização da empresa está baseada em procedimentos padrões, na forma de fluxograma de fácil entendimento para novos funcionários e estagiários, visando assim descentralizar os serviços. Além de contar com colaboradores renomados de todo país. A assistência é feita a todos os que necessitam, com atendimento personalizado, agilidade que a internet oferece. Garantia de qualidade e capacitação contínua, estão entre as prioridades estratégicas da empresa. Link:
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2) Construindo, trocando, educando (CTE) - Quem são: Os membros são professores da Equipe de formação da GEIF - Gerencia de Ensino Fundamental da Secretaria de Educação de Pernambuco. Está localizada na UEAD (Unidade de Educação a Distancia), responsavel pela formação dos Coordenadores de CTE - Central de Tecnologia. Link:
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3) Educa Tube - Criado (MAIO/2009) para indicar vídeos de e para educadores, além de sugerir diversos recursos tecnológicos com fins educativos. Apesar de recente, o blog tem muito material disponível, além de orientações sobre procedimentos de informática, tais como transformar slides feitos no power point em vídeo para disponibilizá-los no You Tube. Link:
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Pesquisa: Marciano Lopes

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Revista eletrônica: uma janela para a aprendizagem





Dinah Franke Moreira*




Como professora de Língua Portuguesa e Literatura, considero um desafio levar os jovens (alunos) de hoje a apreciar seu processo de aprendizagem ou ir em busca do conhecimento. Acredito que uma das razões desse desinteresse seja o acesso a diferentes recursos tecnológicos, exposição a um verdadeiro “bombardeio” de informações, imagens e cores, o que possivelmente interfere na atenção, na concentração e no interesse pelos livros. Assim, como parte integrante do meu processo de formação continuada, propus aos alunos do 2º ano “A” do Colégio Estadual Primo Manfrinato (Cianorte - Paraná) a produção de uma revista eletrônica, acreditando ser uma forma de ampliar o universo cultural e aperfeiçoar a capacidade lingüística dos mesmos, já que as produções passariam a ter um leitor real, além de fazer uso da internet.


A proposta foi muito bem aceita, visto que se trataria de um trabalho midiático e que extrapolaria os muros da escola, pois para produzir entrevistas e reportagens seria preciso sair da escola para buscar dados e informações desejados.


Iniciamos o desenvolvimento do projeto no início do ano letivo, fazendo leituras e análises de revistas ou periódicos impressos e de exemplares eletrônicos, para compreender as condições de produção, os objetivos, o público leitor, a especificidade e a funcionalidade de cada texto. Decidimos o perfil da revista, que gêneros seriam produzidos e que temas seriam abordados. Todas essas definições ocorreram num processo coletivo e democrático. As produções deveriam ocorrer em equipe, o que de certa forma ajudaria a inspirar confiança. Os mais entendidos em informática seriam os responsáveis pela diagramação e pela editoração da revista, a qual recebeu o nome de revista eletrônica ativ@idade e será concluída no 3º bimestre do corrente ano, mas já está on-line desde o dia 30/06/2009.
Posso assegurar, como professora, que é um projeto que contribui em muito para o crescimento intelectual dos alunos, mas para desenvolvê-lo com mais qualidade a turma não poderia ter 49 alunos, como o ocorrido.




NOS BASTIDORES DA PRODUÇÃO



Para a composição da revista eletrônica ativ@idade os alunos escolheram os temas segundo os interesses, sendo: meio ambiente, saúde, beleza, moda, esporte, drogas, amor, música e o jovem no mercado de trabalho. Igualmente foram definidos os gêneros a serem produzidos, ficando como indicativo maior reportagens, entrevistas, poemas, artigos, propaganda social e texto imagético ou fotografias. Para auxiliar na compreensão do processo de editoração, os alunos fizeram uma visita ao Jornal Tribuna de Cianorte (ver foto acima), momento em que conheceram o trabalho do editor, do diagramador, dos repórteres (como ocorre a captação das informações) até o processo de impressão do jornal, onde foi possível ler a edição que seria distribuída no dia seguinte.


O jornal aproveitou a presença dos alunos e publicou uma reportagem sobre a visita, salientando a importância da aprendizagem além da sala de aula, matéria esta que serviu de subsídio e de incentivo para as produções em classe. Vários grupos optaram por fazer entrevistas com professores e pessoas de destaque na sociedade.

Em uma seção da revista tivemos a contribuição de alunos do Colégio Estadual Cianorte, que divulgaram seus trabalhos (propaganda social) realizados no projeto da professora PDE Leonice Fancelli.

Para cobrir os custos de hospedagem da revista eletrônica ativ@idade, contamos com a parceria do comércio local.

A primeira edição será finalizada no mês de agosto com o retorno das aulas, mas já está on-line no endereço: http://www.revistaatividade.com/, desde o dia 30/06/2009.
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* Professora do PDE (Programa de Desenvolvimento Educacional do Estado do Paraná - http://www.pde.pr.gov.br/modules/noticias/) - orientação: prof. Dr. Marciano Lopes e Silva (UEM)
Observação: o site está ainda em desenvolvimento, assim como a primeira edição on line. Como no momento os alunos estão de férias, o trabalho será retomado somente no final de julho.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Pesquisadores da Associação de Leitura do Brasil - ALB apresentam seus trabalhos em terras além mar!!

Com a coordenação de Ezequiel Theodoro da Silva e Norma Sandra de Almeida Ferrreira (ALB- Grupo de Pesquisa ALLE, FE-UNICAMP), pesquisas que têm como foco a leitura serão discutidas no Simpósio A RODA DOS PESQUISADORES DA ASSOCIAÇÃO DE LEITURA DO BRASIL – investigações sobre leitura, no II SIMPÓSIO MUNDIAL DE ESTUDOS DE LÍNGUA PORTUGUESA, a realizar-se na cidade de Évora, Portugal, no período de 6 a 11 de outubro do ano corrente. O objetivo principal do Simpósio é “reunir e apresentar múltiplos aspectos dos processos e das práticas de leitura como objeto de reflexão e/ou de análise empírica, em sua diversidade e complexidade. Em um país como o Brasil, em que o acesso aos bens e às práticas da cultura letrada se dá de forma desigual, pôr em circulação o debate sobre leitura, discuti-lo coletivamente, não é somente uma necessidade, mas também um posicionamento de natureza política”.
VEJA MAIS EM http://www.simelp2009.uevora.pt/

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Estrutura e ferramentas do ciberespaço na literatura: Todos contra D@nte

Vale a pena ler Todos contra D@nte (Cia das Letras, 2008). Além da relevância do tema abordado - a prática de violência moral e psicológica por jovens contra seus pares em ambiente escolar (em inglês, bullying; em francês, harcèlement quotidien; em italiano, prepotenza ou bullismo; em alemão, agressionen under schülern) – o livro merece destaque pelo caráter inovador de seu projeto gráfico. Ao lado de estruturas textuais típicas do século XXI (blogs, comunidades, chats) e da linguagem utilizada pelos jovens na internet, o protagonista do texto dialoga com um escritor do século XIII, Dante Alighieri, por meio da leitura de sua Divina Comédia, livro de cabeceira de nosso “herói”, homônimo do escritor italiano. O diferencial do projeto gráfico para o livro não se revela pela presença de ilustrações e imagens, e sim pela disposição do texto. Nas páginas à esquerda, a narrativa desenrola-se a partir de links numerados, pequenas caixas de texto que se ligam às informações veiculadas nas páginas à direita, todas como caixas de diálogos, blogs ou discussões de comunidades, estruturas muito conhecidas por jovens viajantes do ciberespaço. Há ainda o Post Scriptum, “O motivo sinistro”, paratexto com o qual o autor explica as ligações da história com a realidade, e as transformações literárias por que passou.

Sobre o Autor:

Luís Dill, autor do texto, nasceu em Porto Alegre no dia 04 de abril de 1965. Formou-se em Jornalismo pela PUCRS. Como jornalista, já atuou em assessoria de imprensa, jornal, rádio, televisão e Internet. Atualmente, é Produtor Executivo da Rádio FM Cultura na capital gaúcha, onde reside, e colabora em jornais e revistas. Estreou como escritor em 1990 com a novela policial juvenil A Caverna dos Diamantes (Sulina). Tem 21 livros publicados, além de participações em coletâneas. Finalista de diversos prêmios literários, recebeu o Açorianos/2008 na categoria contos pelo livro Tocata e Fuga (Bertrand Brasil, 2007); sua mais recente publicação é De carona, com nitro (Artes e Ofícios, 2009).

Alice Áurea Penteado Martha