Um espaço para reflexão e discussão sobre a importância do ciberespeaço no ensino de literatura, leitura e escrita.
domingo, 25 de setembro de 2011
Curso de Extensão: “O e-book – práticas de leitura em sala de aula”
Estão abertas as inscrições para mais um curso de extensão de interesse para todos aqueles que se interessem pelo ciberespaço e pela cibercultura, especialmente com relação a propostas a serem aplicadas em sala de aula. Trata-se do curso de extensão “O e-book – práticas de leitura em sala de aula”. O curso será ministrado no auditório do CCE (Bloco F-67), na Universidade Estadual de Maringá, no dia 07/10/2011. Leiam as informações:
Programa:
- “E-book: o que é? Como surgiu?” – Ministrante: Márcio Roberto do Prado – 2 horas-aula
- “A autoria e a ética nos e-books” – Ministrante: Márcio Roberto do Prado – 3 horas-aula
- “E-books e o ensino de literatura” – Ministrantes: Vera Teixeira Aguiar e Alice Penteado Martha – 5 horas-aula
- “Atividades práticas a serem desenvolvidas pelos participantes do curso” – 10 horas-aula
Coordenador: Prof. Dr. Márcio Roberto do Prado
Período para inscrições: 23/09/2011 a 06/10/2011
Valor: Acadêmico R$ 20,00 (para todos os participantes)
Vagas: 120 vagas
Local do curso: Auditório do CCE (Bloco F-67)
Horário: a partir das 8h da manhã
Carga horária: 20 horas (10 horas presenciais e 10 horas em atividades a distância pela internet)
Código de recolhimento: 2974
Inscrições
Para se inscrever, gere o boleto e pague-o no banco (Caixa Econômica Federal) dentro do prazo estipulado no mesmo. Preencha o código de recolhimento (2974), o valor (R$ 20,00) e o nome por completo (todo por extenso) e corretamente, pois ele sairá no certificado conforme você preenchê-lo no boleto.
Clique aqui pra gerar o boleto
Em caso de dúvidas, entrar em contato com Gabriel ou Sarah no telefone (44) 3011-4914
quarta-feira, 6 de outubro de 2010
O blog como ferramenta de ensino – duas experiências na UEM

a) tratar dos poetas da fase colonial até o modernismo (período que deveria ser estudado em classe), ficando o período posterior para eles tratarem nos blogs e nos seminários;
Com a terceira turma, da disciplina de Tópicos de Literatura Brasileira, que teve por conteúdo o estudo do conto brasileiro pós 1970, resolvemos fazer um único blog, que foi alimentado por mim e pelos grupos, que também receberam um ponto temático cada um. Trata-se do blog Contos e encontros: http://contosdobrasil.arteblog.com.br/ (imagem do cabeçalho acima, na abertura desta matéria).
No caso da primeira disciplina, Literatura Brasileira: Poesia, o blog Poetas do Brasil serviu para minimizar as inevitáveis e largas lacunas no desenvolvimento do programa devido ao reduzidíssimo tempo de um semestre para estudar toda a poesia brasileira desde o período colonial até a contemporaneidade. As vantagens com relação à avaliação tradicional dividida em prova escrita, artigo e seminário, foram várias, mas antes de tratá-las julgo pertinente começar apontando alguns critérios de avaliação estabelecidos para avaliar a produção dos alunos em seus blogs e que foram fundamentais para garantir a qualidade da produção, a pesquisa contínua sobre o tema (evitando aqueles trabalhos feitos na última hora) e a interatividade (de modo que cada grupo não fique com suas leituras restritas ao seu tema, como acontece nos seminários em geral):
a) frequência mínima de postagem: uma por semana;
b) variedade nos tipos e gêneros textuais assim como nas mídias utilizadas em cada postagem, as quais têm diferentes pesos na avaliação conforme a quantidade de informação agregada à(s) original(is),
c) interatividade entre os grupos: cada grupo deveria visitar os dos outros grupos, o que poderia ser verificado pelo uso da ferramenta "Comentários" ou pela presença marcada em "Visitantes mais recentes". No caso do trabalho coletivo em um único blog, os participantes deveriam interagir através da ferramenta "Comentários" internamente, visitando as postagens dos colegas dos outros grupos.
d) obrigatoriedade no estabelecimento de uma rede de contatos e navegação através das ferramentas “Meus Amigos” e “Links Favoritos” – de tal modo que o visitante possa facilmente circular por todos os blogs produzidos (no caso da disciplina Literatura Brasileira: Poesia, em que cada grupo criou e manteve um blog próprio) e sites afins,
e) obrigatoriedade do uso da ferramenta “Comentários” sem moderação.
O uso dos blogs nas duas disciplinas voltou-se para uma estratégia de ensino alicerçada nas ideias de interatividade, pesquisa e produção críticas, no entanto, implantar esta atitude em um meio e cultura nos quais a reprodução/cópia é a regra, não é tarefa fácil. Apesar do recurso da Internet favorecer a reprodução acrítica de textos alheios, acredito que a exigência de criação de textos próprios, ou seja, com linguagem própria (mesmo que parafraseando as fontes), e a obrigatoriedade de informar o devido crédito e implantar o hiperlink, no caso de fontes existentes no ciberespaço, tenha conduzido os alunos a assumirem uma atitude de maior responsabilidade e respeito, mesmo porque o não cumprimento de tais exigências os coloca numa situação desconfortável e perigosa, visto que qualquer internauta – especialmente os autores dos textos fontes – poderão constatar a atitude anti-ética do plágio no caso deste ocorrer.
Outro problema enfrentado diz respeito à dificuldade de inclusão digital do aluno. Foram muitos que encontraram dificuldade no desenvolvimento da proposta por não terem computador em casa ou por não tê-lo conectado à Internet. A saída encontrada foi a de reunirem-se os membros de cada grupo periodicamente na casa de quem tivesse computador conectado à internet (especialmente na daqueles em que a conexão é ADSL) e de distribuir as atividade de edição levando isso em consideração, de modo que àqueles que não tinham o acesso caseiro à internet fizessem atividade tais como pesquisa em fontes bibliográticas, escritura e revisão dos textos.
Salvo os problemas acima apontados, foram vários os aspectos positivos da estratégia, destacando-se:
a) A melhor qualidade dos seminários ao final da disciplina, uma vez que os alunos eram obrigados a estar continuamente em contato com os conteúdos dos mesmos, pesquisando-os e reelaborando-os para a realização das postagens semanais. Com tal estratégia evitou-se em grande medida a prática comum dos alunos prepararem o seminário “na última hora”, o que regra geral resulta em um desastre devido à falta de reflexão e debate entre os pares do grupo sobre o material pesquisado.
b) A prática de produção de outros gêneros textuais além daqueles tipicamente acadêmicos (tais como resenhas, artigos e monografias) e o desenvolvimento da consciência de que ao se escrever deve-se ter em mente o público-alvo e o suporte da publicação, de modo a adequar não somente a linguagem como também o gênero textual aos mesmos. Em outras palavras, por se tratar da produção de blogs que funcionam como revistas on-line, os alunos deixaram de escrever para o professor (como é a prática recorrente) e foram levados a refletir sobre a necessidade de utilizar outras linguagens além da acadêmica e de adequá-las – assim como a estruturação e diagramação textual – ao público leitor e ao espaço da tela, que é diferente do espaço de uma revista impressa ou mais ainda de um livro. Aos poucos, eles foram percebendo a necessidade de formularem textos com uma linguagem mais coloquial (sem abrir mão da correção gramatical), com menor extensão, com imagens e/ou outros recursos midiáticos (tais como arquivos de som ou vídeo) de forma a torná-los mais atraentes/sedutores e de compreensão facilitada a um público leigo no assunto.
c) A melhor circulação dos conteúdos dos seminários de cada grupo entre todos os alunos das turmas, posto que houvesse como um dos critérios de avaliação a obrigatoriedade de cada grupo visitar os blogs dos colegas e deixar comentários com sugestões, críticas, ou mesmo perguntas e divergências. Essa estratégia, além da possível curiosidade dos alunos em conhecer e acompanhar os blogs dos demais colegas, minimiza a prática recorrente dos grupos ficarem restritos ao estudo e à recepção dos conteúdos do seu seminário. Como todo professor sabe, é comum que os alunos não prestem muita atenção à apresentação dos seminários dos demais, uma vez preocupados na apresentação do seu, que é feita para o professor, e não para os colegas. E como a apresentação do seminário é apenas um momento no desenrolar do curso, a aquisição dos conteúdos tratados neles fica por demais prejudicada. Entretanto, com a prática de visitas aos blogs dos outros grupos, a transmissão e troca dos conteúdos desenvolvidos entre os pares não fica restrita ao momento do seminário.
d) O desenvolvimento do espírito de equipe, uma vez que a produção dos blogs, sendo similar a de uma revista, leva-os a perceber importância e a necessidade de divisão do trabalho em diversas fases/atividades do trabalho de edição (tais como pesquisa, redação, revisão e diagramação).
e) A valorização do trabalho escolar, que deixa de ter um fim em si mesmo. Com isso, o trabalho não se esgota na sua entrega ou realização com vistas apenas à avaliação, pois o aluno deixa de realizar o trabalho para o professor e para a obtenção de uma nota, passando a escrever para um público leitor real. Além desse aspecto positivo, o resultado final permanece disponível a todo internauta, podendo servir aos professores de língua e literatura (ou outras artes) como apoio didático.
f) Maior interatividade entre professor e aluno, que deixa a atitude passiva e passa a produzir conhecimento, contribuindo para o curso durante todo o tempo, e não apenas nos momentos de seminário ou nas raras contribuições em sala, posto que são poucos que intervém com perguntas, comentários, discussões etc. – até porque muitos que gostariam de fazê-lo às vezes não o fazem devido à rejeição que poderão sofrer de alguns colegas. Em várias ocasiões aproveitei as postagens de alguns grupos para o desenvolvimento de aulas, trabalhando com a leitura e discussão de textos artísticos e críticos feitas por eles – o que, às vezes, levava-os a refazerem suas postagens ou mesmo a fazerem novas postagens sobre o assunto ou texto em discussão. Isso aconteceu de forma muito interessante e intensa na disciplina de Tópicos de Literatura Brasileira, em que a discussão inicial sobre o conto “Botão de Rosa”, de Murilo Rubião, feita com base em uma postagem do grupo que estava pesquisando sobre o conto fantástico, levou o mesmo a produzir mais três, aproveitando na redação dos novos textos as discussões realizadas em classe, incorporando opiniões, leituras e informações feitas pelo professor ou por colegas. Com essa prática, se rompe a unidirecionalidade do ensino bancário favorecendo ao aluno vivenciar a construção do conhecimento como um processo vivo, dinâmico e dialógico.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como pode-se ver, a experiência realizada contemplou o uso dos blogs tanto como recurso assim como estratégia, conforme propõe Maria João Gomes (2005) e António Marcelino Lopes em estudo conjunto com ela - conforme apresentado na postagem anterior sobre "O blog como ferramento de ensino - problemas e proposições" e especialmente na postagem "O uso de blogs no ensino de literatura e redação", de setembro de 2009 . Aliás, acredito ter dado um passo além das proposições da pesquisadora portuguesa na medida em que se conciliou num mesmo blog as duas possibilidades de ação ao mesmo tempo em que se superou o uso deste como um portfólio por parte dos alunos.
Por fim, é importante informar que a relação dos temas desenvolvidos nos seminários da disciplina de Literatura Brasileira: Poesia – assim como o URL de cada blog produzido – encontra-se na página de descrição do blog-mãe Poetas do Brasil: http://poetasdobrasil.arteblog.com.br/p/profil. Também é possível acessarmos estes blogs através da relação dos “Favoritos” no menu do blog-mãe. Apesar de todos apresentarem um resultado final satisfatório, gostaria de destacar os três que considero os melhores devido à excelência alcançada e o perfil voltado para uma educação étnico-racial:
http://poesiaderaizesnegras.arteblog.com.br/ (poesia e negritude)
http://cordeleviolaoderua.arteblog.com.br/ (cordel e violão de rua)
O blog como ferramenta de ensino – problemas e proposições
Podemos concluir que os professores se utilizam das tecnologias disponíveis, e no escopo deste trabalho o computador e a internet, apenas para suas necessidades básicas. O computador é utilizado para a reprodução de materiais, uma junção de mimeógrafo e máquina de escrever. A internet é utilizada para obtenção de informação geral e “elaboração” de materiais. Impera entre os professores a visão da internet como a virtualização da enciclopédia, sem qualquer vinculação com a possibilidade de seu uso para o aperfeiçoamento profissional.
O que se percebe no diálogo com os professores é que embora reconheçam as varias possibilidades apresentadas pela internet no campo dos estudos literários, eles não vêem essas possibilidades como algo passível de realização. (GUIMARÃES, 2008, p. 718).
A aquisição da informação, dos dados, dependerá cada vez menos do professor. As tecnologias podem trazer hoje dados, imagens, resumos de forma rápida e atraente. O papel do professor – o papel principal – é ajudar o aluno a interpretar esses dados, a relacioná-los, a contextualizá-los. Dessa forma, o papel do professor passará para o de orientador e facilitador do conhecimento. (MORAN, 2007)
As utilizações potenciais dos blogs como recurso e como estratégia pedagógica são muito diversificadas e sobre elas faremos de seguida algumas considerações. Embora a distinção entre os blogs enquanto “recurso pedagógico” e os blogs enquanto “estratégia pedagógica” nem sempre seja clara e, frequentemente, seja de natureza algo arbitrária, vamos adoptá-la para efeitos de sistematização da nossa exposição. Enquanto recurso pedagógico os blogs podem ser:
.....b) Um espaço de disponibilização de informação por parte do professor.
Enquanto “estratégia pedagógica” os blogs podem assumir a forma de:
.....a) Um portfólio digital.
.....b) Um espaço de intercâmbio e colaboração.
.....c) Um espaço de debate – role playing.
.....d) Um espaço de integração.
(GOMES, 2005, p. 312-313)
A utilização do Blog como ferramenta pedagógica [Oficina do Blog 2006] pode trazer diversos benefícios no processo de ensino-aprendizagem. Dentre os benefícios podem ser citados: a motivação (acompanhar a atualização da página todos os dias para ver se existem novidades), o trabalho em equipe (grupos trabalhando juntos para a elaboração de um Blog comum), o incentivo à pesquisa (a busca de conteúdos (novas informações, textos) em outras fontes para enriquecer o Blog), o desenvolvimento da criatividade (personalização do Blog: com links, ilustrações, etc.), a sensação de competitividade (os endereços dos Blogs de todos os grupos da turma ficam disponíveis), dentre outros.
Como um método de aprendizagem, o Blog ainda é considerado uma novidade na prática de ensino, porém aos poucos está ganhando espaço por ser uma técnica gratuita, de simples utilização e grande atrativo para o público infanto-juvenil. É um método classificado como simples pelo fato de que o usuário não precisa saber alguma linguagem de programação para criar seu próprio Blog, portanto os professores que ministram quaisquer disciplinas da grade curricular da escola podem facilmente manuseá-lo e, assim, preparar algumas aulas diferenciadas para apresentar seus conteúdos. Além disso, pode ser um novo canal de comunicação para a educação, incentivando o convívio e a aprendizagem de novas tecnologias. (BRUSAMARELO et alli., 2006, p. 347)
VEJA NESTE BLOG:
O uso de blogs no ensino de literatura e redação
9 Set 2009
14 Set 2009
O trabalho com blogs feitos coletivamente pelos alunos ou em conjunto com o professor pode ser uma experiência muito gratificante. Para colocar em prática as leituras e reflexões que venho fazendo, faz duas semanas que iniciei com os ...
REFERÊNCIAS
BRUSAMARELO et al. A Utilização do Blog como Ferramenta de Ensino-Aprendizagem para o Ensino Médio na Escola Estadual Major Otávio Pitaluga. In: Anais do XXVI Congresso da SBC. Campo Grande/MS, 2006, p. 345–348. Disponível em: http://www.br-ie.org/pub/index.php/wie/article/viewFile/920/906 - acesso em 8/9/2010.
COSCARELLI, Carla V. Alfabetização e letramento digital. COSCARELLI, Carla V. e RIBEIRO, Ana E. (org). Letramento digital: aspectos sociais e possibilidades pedagógicas. 2. ed. Belo Horizonte: CEALE; Autêntica, 2007. p. 25-40.
GOMES, M. J. Blogs: um recurso e uma estratégia pedagógica. In: VII Simpósio Internacional de Informática Educativa. Leiria/Portugal, Novembro, 2005. Disponível em: https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/4499/1/Blogs-final.pdf. - Acesso em 10 de agosto de 2009.
GOMES, Maria João; LOPES, António Marcelino. Blogues escolares: quando, como e por quê? Disponível em:
https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/6487/1/gomes2007.pdf. - Acesso em 10 de agosto de 2009.
GUIMARÃES, José Ferreira. Internet e ensino de literatura: o que pensam os professores? In: II Conali. Anais. Maringá/PR:UEM. 2008. p. 714-719. (CD-Room)
MORAN, José M. Modificar a forma de ensinar. In: A educação que desejamos: Novos desafios e como chegar lá. São Paulo: Papirus, 2007. p. 30-32.
Cibercultura e Formação de Professores
No caso das demandas realmente atuais, tal cenário potencialmente complicado é ainda mais evidente, uma vez que a natureza do ciberespaço e da cibercultura descentraliza ainda mais, em termos tanto valorativos quanto informacionais, todo o contexto da educação. O que considerar hoje como informação válida ou referendada? Como determinar o limite entre a busca de fontes e o plágio? Em que medida a internet atua como inimiga ou aliada do professor no momento em que este se depara com um aluno completamente acostumado a uma busca e disseminação de informações em tempo real e em constante atualização? Essas são questões que nos assaltam por vezes e, no caso de professores formadores de leitores e escritores (ainda que sem a conotação estritamente “artística” do termo), algumas outras ainda podem surgir, tais como: qual o espaço que restou à literatura tradicional no contexto cibercultural? O ato de leitura e o ato de escrita estão se perdendo ou se transformando? O pode e o que deve fazer o professor diante desse quadro ainda repleto de incertezas? Essas são algumas outras questões que podem surgir, mas definitivamente não são as únicas.
Para buscar respondê-las ou ao menos problematizá-las, em um terceiro momento de nosso curso, partamos novamente de alguns trechos de obras que tocam o tema e que nos ajudarão em nossa discussão.
Sobre a virtualização do texto e da leitura:
Pode-se dizer que um ato de leitura é uma atualização das significações de um texto, atualização e não realização, já que a interpretação comporta uma parte não eliminável de criação. A hipercontextualização é o movimento inverso da leitura, no sentido em que produz, a partir de um texto inicial, uma reserva textual e instrumentos de composição graças aos quais um navegador poderá projetar uma quantidade de outros textos. O texto é transformado em problemática textual. Porém, mais uma vez, só há problemática se considerarmos acoplamentos humanos-máquinas e não processos informáticos apenas. Então se pode falar de virtualização e não mais apenas de potencialização. De fato, o hipertexto não se deduz logicamente do texto fonte. Ele resulta de uma série de decisões: regulagem do tamanho dos nós ou dos módulos elementares, agenciamento das conexões, estrutura da interface da navegação, etc. No caso de uma hipercontextualização automática, essas escolhas (a invenção desse hipertexto particular) vão intervir ao nível da concepção e da seleção do programa. (LÉVY, 2001, p. 41-2)
Sobre a relação do texto com o computador:
Considerar o computador apenas como um instrumento a mais para produzir textos, sons ou imagens sobre suporte fixo (papel, película, fita magnética) equivale a negar sua fecundidade propriamente cultural, ou seja, o aparecimento de novos gêneros ligados à interatividade. […] O computador é, portanto, antes de tudo um operador de potencialização da informação. (LÉVY, 2001, p. 41)
Sobre o hipertexto:
Um hipertexto é uma matriz de textos potenciais, sendo que alguns deles vão se realizar sob o efeito da interação com um usuário. Nenhuma diferença se introduz entre um texto possível da combinatória e um texto real que será lido na tela. […] O virtual só eclode com a entrada da subjetividade humana no circuito, quando num mesmo movimento surgem a indeterminação do sentido e a propensão do texto a significar, tensão que uma atualização, ou seja, uma interpretação, resolverá na leitura. (LÉVY, 2001, p. 40)
Sobre a atuação do professor e os recursos tecnológicos:
Infelizmente, uma parte dos educadores adota uma certa tecnologia apenas num dado momento de sua carreira: a televisão, o rádio, o retroprojetor, o projetor de slides e, mais recentemente, o computador, recursos que acabam sendo “parafernálias eletrônicas” que o professor utiliza apenas para não ser considerado “quadrado”, ou para ter maior segurança, ou para obter status perante seus colegas. E a outra parte lamenta-se por não ter em sua escola tecnologias disponíveis: “eu quero me atualizar, mas não me dão condições…”. Notamos que, na maioria dos casos em que esses equipamentos são adquiridos, acabam sendo jogados em um depósito, onde, por fim, deterioram-se. Frequentemente, lamenta-se pela sorte dessa aparelhagem eletrônica “tão generosamente cedida pelo Estado” ou “adquirida com tantos sacrifícios pelas Associações de Pais e Mestres”. Fala-se em desperdício, mas raramente se pergunta o porquê desse destino.
Grande parte da má utilização das tecnologias educacionais, ao nosso ver, deve-se ao fato de muitos professores ainda estarem presos à preocupação com equipamentos e materiais em detrimento de suas implicações na aprendizagem. De um lado, as inovações – referentes a novos métodos de ensino ou ao emprego da televisão, de slides, de vídeo e, agora, do computador – têm esse apelo de deslumbramento; de outro, elas não são integradas facilmente ao cotidiano escolar. (BRITO & PURIFICAÇÃO, 2008, p. 40-1)
Referências
BRITO, G.; PURIFICAÇÃO, I. Educação e novas tecnologias: um repensar. Curitiba: Ipbex, 2008.
LÉVY, P. O que é o virtual? Tradução Paulo Neves. São Paulo: 34, 2001.
Cibercultura
Qualquer um que tentasse definir em termos precisos o significado de “cibercultura” esbarraria em um problema inicial: a dificuldade de definição da própria ideia de “cultura”. Fujamos, então, do risco de propor uma definição específica de “cultura” para pensarmos a cibercultura como um desdobramento ou atualização de nosso universo cultural em função de uma forte influência direta das tecnologias digitais e do complexo filosófico, antropológico e social que se apresenta a partir do ciberespaço. Em meio a tal painel, o princípio de conservação que poderia ser facilmente verificado no conceito de cultura encontra-se em choque e em meio a um processo extremamente dinâmico que é uma das marcas de um cenário de velocidade exacerbada e modificação contínua – sob o signo da “atualização” – que notamos na rede e no entorno tecnológico que a sustenta, como notebooks que proporcionam a portabilidade da antiga ideia de “computador pessoal” fixado em um cômodo da nossas casas, telefones celulares que extrapolam suas funções comunicativas iniciais e mesmo ferramentas advindas diretamente da internet, como sites, blogs, twitter, fóruns e tantas outras possibilidades.
É sempre importante ressaltar que semelhante cenário, muito embora se apresente e se imponha a cada um de nós, nas mais variadas situações, não é necessariamente algo que seja assimilado de modo totalmente tranquilo. Por mais que se esforce, uma pessoa que foi formada em meio a um contexto cultural anterior ao advento da internet – marcando sua própria visão de “cultura” em tais termos – não pode pressupor que vá estabelecer uma relação com o ciberespaço e suas aparentemente infinitas possibilidades da mesma maneira que alguém cujo nascimento foi devidamente apresentado ao mundo via facebook ou orkut e que, deste modo, formou-se ciberculturalmente desde antes de sequer perceber os processos por meio dos quais tal formação se deu. Como seria de se esperar, a cibercultura, em especial para aqueles que se pensaram culturalmente sem o “ciber-”, coloca-nos diante daquele que tanto nos oferece mas que sempre causa receio e apreensão: o Outro.
Em um segundo momento de nosso curso o desafio de conceituar a cibercultura será enfrentado por meio de um debate que busque pensá-la de dentro, de modo que algumas passagens de textos sobre o assunto serão novamente bastante úteis.
Sobre a cibercultura:
O que é, então, a totalidade? Trata-se, em minha palavras, da unidade estabilizada do sentido de uma diversidade. Que essa unidade ou essa identidade sejam orgânicas, dialéticas ou complexas e não simples ou mecânicas não altera nada: continua sendo uma totalidade, ou seja, um fechamento semântico abrangente.
Ora, a cibercultura inventa uma outra forma de fazer advir a presença virtual do humano frente a si mesmo que não pela imposição da unidade de sentido. Essa é a principal tese aqui defendida. (LÉVY, 2001a, p. 247-8)
Sobre a virtualização:
Deve-se temer uma desrealização geral? Uma espécie de desaparecimento universal, como sugere Jean Baudrillard? Estamos ameaçados por um apocalipse cultural? Por uma aterrorizante implosão do espaço-tempo, como Paul Virilio anuncia há vários anos? [Defendo] uma hipótese diferente, não catastrofista: entre as evoluções culturais em andamento nesta virada do terceiro milénio – e apesar de seus inegáveis aspectos sombrios e terríveis – , exprime-se uma busca da hominização.
Certamente nunca antes as mudanças das técnicas, da economia e dos costumes foram tão rápidas e desestabilizantes. Ora, a virtualização constitui justamente a essência, ou a ponta fina, da mutação
Sobre o papel do ato crítico no contexto ciberespacial e cibercultural:
A cibercultura é propagada por um movimento social muito amplo que anuncia e acarreta uma evolução profunda da civilização. O papel do pensamento crítico é o de intervir em sua orientação e suas modalidades de desenvolvimento. Em particular, a crítica progressista pode esforçar-se para trazer à tona os aspectos mais positivos e originais das evoluções
No entanto, muitos discursos que se apresentam como críticos são apenas cegos e conservadores. Por conhecerem mal as transformações em andamento, não produzem conceitos originais, adaptados à especificidade da cibercultura. Critica-se a “ideologia (ou a utopia) da comunicação” sem se fazer distinção entre televisão e Internet. Estimula-se o medo da técnica desumanizante, ao passo que as questões dizem respeito às escolhas entre as técnicas e a seus diferentes usos. Deplora-se a confusão crescente entre real e virtual sem nada se entender sobre a virtualização, que pode ser tudo menos uma desrealização do mundo – seria antes uma extensão do potencial humano. A ausência de visão de futuro, o abandono das funções de imaginação e de antecipação do pensamento têm como efeito desencorajar os cidadãos a intervir, deixando por fim o campo livre para as propagandas comerciais. É urgente, inclusive para a própria crítica, empreender a crítica de “gênero crítico” desestabilizado pela nova ecologia da comunicação. É preciso interrogar hábitos e reflexos mentais cada vez menos adequados às questões contemporâneas. (LÉVY, 2001a, p. 229)
Referências
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Fanfics e oficinas literárias
VARGAS, M. L. B. O fenômeno fanfiction: novas leituras e escrituras em meio eletrônico. Passo Fundo: Ed. Universidade de Passo Fundo, 2005.
1) Recontextualização: consiste na escrita de narrativas que preenchem lacunas existentes no texto original.
2) Expansão da linha temporal: consiste na escrita de narrativas cuja ação está aquém ou além da linha de tempo da narrativa original.
3) Refocalização: consiste na escrita de narrativas que centram sua história em um personagem secundário na trama original.
4) Realinhamento moral: consiste numa refocalização levada ao extremo na medida em que “o universo moral do texto original é questionado ou mesmo invertido (VARGAS, 2005, p. 64). Aqui se abre a perspectiva para o trabalho com a paródia.
5) Troca de gênero: consiste na escrita de narrativas em que se mantém os personagens e demais elementos da narrativa original, mas se troca o gênero, passando, por exemplo, de drama ou romance (entendido aqui como história de amor) para comédia ou sátira. Aqui também se abre a perspectiva para o trabalho com a paródia.
6) Narrativas cruzadas (ou cross overs): consiste na escrita de narrativas que cruzem (misturem) histórias de diferentes livros.
7) Deslocamento de personagens: consiste na escrita de narrativas em que ocorre o deslocamento de personagens de uma série ou obra para o contexto de outra obra ou série.
8) Intensificação emocional: consiste na escrita de uma narrativa em que os personagens passam a viver um conflito novo e intenso, que não se encontra necessariamente no texto original.
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Duas experiências com blogs no ensino de literatura brasileira
O trabalho com blogs feitos coletivamente pelos alunos ou em conjunto com o professor pode ser uma experiência muito gratificante. Para colocar em prática as leituras e reflexões que venho fazendo, faz duas semanas que iniciei com os alunos de três turmas do curso de Letras da UEM uma proposta de produção de blogs aliados ao trabalho de seminário em sala de aula.
Nas turmas de Literatura Brasileira: Poesia, do 2º ano de Letras noturno (habilitações duplas), formaram-se grupos de cinco membros, cabendo a cada grupo manter um blog cujo tema é o ponto sorteado para o seminário da última avaliação. Além dos blogs dos grupos, criei um gerenciado só por mim para a disciplina (Poetas do Brasil), tendo por objetivo tratar dos poetas da fase colonial até o modernismo (que será o período estudado em classe), ficando o período posterior para eles tratarem nos blogs e no seminário. Dessa forma, é possível minimizar as lacunas impreenchíveis devido ao reduzidíssimo tempo de um semestre para estudar toda a poesia brasileira desde o período colonial até a contemporaneidade.
Com a terceira turma, da disciplina de Tópicos de Literatura Brasileira, em que estaremos estudando o conto contemporâneo pós 70, resolvemos fazer um único blog, que vai ser alimentado por mim e pelos grupos, que também receberam um ponto temático cada um. Trata-se do blog Contos e encontros, no qual minha parte é a de postar os textos relativos aos conteúdos que estarão sendo trabalhados em classe.
As vantagens com relação à avaliação tradicional dividida em prova escrita, artigo e seminário são várias, mas falarei sobre elas em um futuro texto. Somente adianto alguns critérios de avaliação estabelecidos e que serão fundamentais para garantir a qualidade da produção, a pesquisa contínua sobre o tema (evitando aqueles trabalhos feitos na última hora) e a interatividade (de modo que cada grupo não fique com suas leituras restritas ao seu tema, como acontece nos seminários em geral):
a) número mínimo de postagens: uma por semana;
b) variedade nos tipos e gêneros textuais assim como nas mídias utilizadas em cada postagem, as quais têm diferentes pesos na avaliação conforme a quantidade de informação agregada à(s) original(is),
c) interatividade com os demais grupos (cada um deve visitar os outros blogs ou as postagens dos outros grupos – no caso do trabalho coletivo em um único blog – e deixar recados, comentários, críticas, perguntas etc.).
Acompanhem o trabalho. Visitem o "blog-mãe" Poetas do Brasil - que levará através dos links favoritos e das visitas mais recentes aos demais blogs produzidos pelos grupos das duas turmas de Literatura Brasileira: Poesia. Visitem também o blog Contos e encontros, da disciplina de Tópicos de Literatura Brasileira, em que todos trabalhamos coletivamente em um único espaço.
quarta-feira, 9 de setembro de 2009
O uso de blogs no ensino de literatura e redação
a) um espaço de acesso à informação especializada, seja pelo professor ou pelo aluno;
b) um espaço para o professor disponibilizar informações, ou seja, funciona como um livro on-line onde ele vai postando os textos a serem estudados na classe ou fora dela.
Enquanto estratégia pedagógica, podem ser utilizados como:
c) um potfólio digital, ou seja, espécie de diário de classe do aluno (ou de um grupo de alunos) onde se registra o “acompanhamento e a reflexão sobre as actividades e temáticas abordadas ao longo das aulas” (GOMES, 2005, p. 314);
d) um espaço de intercâmbio e colaboração em que alunos e professores de diferentes escolas, muitas vezes em regiões isoladas, possam interagir em torno de um projeto ou problema comum;
e) um espaço de debate e simulação de debate (excelente para aulas de produção de textos ou debate de ideias);
f) um espaço de integração, possibilitando ao aluno afastado da escola ou da sala de aula acompanhar os conteúdos estudados e interagir com o professor e a classe.
A diferença entre usá-los como recurso ou estratégia está relacionada com a relação que se estabelece entre o professor e os alunos no processo de ensino e aprendizagem. No primeiro caso, o seu uso privilegia o pólo do professor no papel ativo de produzir e postar os conteúdos, cabendo aos alunos lê-los e, no máximo, comentá-los; no segundo, privilegia o pólo dos alunos, a quem cabe a tarefa de produzir os textos e postá-los para comentários e orientações do professor. Nesse caso, o professor incentiva os alunos para que sejam os responsáveis por todo o processo de construção do conhecimento, que abrange a pesquisa, a seleção, a reorganização e a síntese das informações a serem postadas. Entreos dois pólos, há muitas combinações possíveis, entre os quais acrescentaria o de criar-se um blog para uso comum do professor e dos alunos, todos se responsabilizando pelo trabalho de pesquisa, seleção, organização e produção de postagens em torno de temas estabelecidos em comum acordo.
Desenvolver o ensino de redação e a produção textual no ciberespaço torna-se muito mais dinâmico e produtivo graças a sua estrutura. Conforme observa Daniel Cassany (s/d, p. 7):
Em conjunto, con la estructura hiper e inter-textual el escrito se convierte em um objeto comunicativo más abierto (que admite actualizaciones continuadas), versátil (permite diversidad de itinerarios), interconectado (relacionado com el resto de recursos enciclopédicos de la red) y significativo (multiplica sus posibilidades interpretativas).
Por tais características, a realização de oficinas de produção de textos on-line – sejam literários ou não – é algo bastante interessante. E o trabalho com blogs feitos coletivamente pelos alunos ou em conjunto com o professor pode ser uma experiência muito gratificante.
CASSANI, D. De lo analógico a lo digital. El futuro de La enseñanza de la composición. Lectura y vida. Revista latinoamericana de lectura. Año 21, n. 2, junio, 2000. Disponível em www.cerlalc.org/redplanes/.../Cassany_Analogica_a_digital.pdf. - Acesso em 10 de agosto de 2009.
GOMES, M. J. Blogs: um recurso e uma estratégia pedagógica. In: VII Simpósio Internacional de Informática Educativa. Leiria/Portugal, Novembro, 2005. Disponível em https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/4499/1/Blogs-final.pdf. - Acesso em 10 de agosto de 2009.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Publicações on-line X Publicações impressas
1. Acesso amplo à publicação - A web disponibiliza novos espaços de publicação – sejam blogs, disponíveis gratuitamente para o internauta (mesmo os pouco experientes), ou sites. Nesse formato é que, em geral, se encontram as revistas literárias. Para publicar, o usuário pode apresentar seu texto para ser avaliado pelos editores ou, após cadastrar-se e receber uma senha para administrar o espaço que lhe é disponibilizado, inserir por conta própria seu texto – que estará on-line em questão de segundos, conforme a velocidade de conexão.
2. Edição de revistas com baixíssimo custo para os editores – A criação de sites que funcionem como revistas eletrônicas tem custos extremamente baixos, limitados à manutenção de servidor e domínio, além da aquisição de softwares que sejam necessários ao trabalho de edição.
3. Alcance mundial de público - A publicação de impressos (livros, revistas, etc.) necessita de distribuição, que no caso brasileiro sempre é muito limitada. Basta lembrar que o número de livrarias e bibliotecas no país é extremamente irrisório – para não se dizer ridículo. Em contrapartida, publicar no ciberespaço é ter a garantia de ser lido em qualquer lugar do planeta que tenha um computador conectado à web.
4. Interatividade autor-leitor no processo de criação - A publicação no ciberespaço possibilita uma interação com os leitores através do espaço de comentários, fóruns ou chats, o que não acontece quando o escritor publica apenas pelo meio impresso. No caso da publicação de um romance em blogs ou sites, assim como se fazia nos folhetins dos jornais nos séculos XVIII e XIX, o autor tem a vantagem de acompanhar diretamente os comentários dos leitores e de interagir/dialogar com eles durante o processo de escritura. Um caso exemplar e surpreendente, além dos sites de fanfictions, é o experimento de elaboração da comédia policial Os anjos de Badaró, de Mario Prata, escrita com a colaboração dos leitores de seu site (http://marioprataonline.com.br) durante seis meses.
5. Recursos multimídia - Uma revista eletrônica (assim como um e-book) pode dispor de recursos tais como imagens em movimento, vídeos e arquivos de som, além dos hiperlinks, o que no caso de uma publicação impressa não acontece - salvo outras mídias lhe acompanhem como encarte, mas isso não garante uma interação orgânica de imagens e sons com o texto, ou seja, a incorporação dessas outras linguagens na estrutura do texto.
6. Criação de redes de afinidades entre escritores e/ou leitores – A publicação em sites ou blogs possibilita através de links com outras publicações ou autores afins o estabelecimento de redes, o que favorece a divulgação do trabalho e o estabelecimento de comunidades de produtores e leitores. Exemplos são o Portal Literal (cuja curadoria é de Heloísa Buarque de Hollanda) e o blog As escolhas afectivas, criado pelo argentino Aníbal Crístobo, e que propõe uma curadoria autogestionada de poesia “de forma que um autor publique seus poemas e também mencione outros autores, que, por sua vez, farão o mesmo” (GUADALUPE, 2008, p. 698).
É claro que há algumas desvantagens, mas são bastante reduzidas e relativas. A mais evidente é o fato das publicações on-line serem bastante fugazes, ou seja, a garantia de perenidade dos textos digitais é muito menor do que aqueles impressos. Basta que o site ou o servidor desapareça para que se perca a(s) informação (ões) nele depositada(s). Mas essa desvantagem, quando confrontada com as inúmeras vantagens, não é tão relevante, até porque há formas de "driblar" esse perigo (publicando em diferentes espaços ou arquivando os textos para publicá-los novamente em outro, caso se perca o sítio original). Além do mais, a pequena tiragem de livros (pensemos nas edições esgotadas, o que não acontece jamais com um texto on-line) e o difícil acesso a eles parece ser um obstáculo bem maior.
Marciano Lopes e Silva
GUADALUPE, A. A literatura brasileira em tempos de internet: blogs, microblogs e outros logs. In: SILVA, M. L e. et all. (org.). II Conali. Anais. Maringá/PR:UEM. 2008. p. 693-703. (CD-Room)
JOBIM, J. L. Autoria, leituras e bibliotecas no mundo digital. In: JOBIM, J. L. (org.). Literatura e informática. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2005. p. 115-131.
VARGAS, M. L. B. O fenômeno fanfiction: novas leituras e escrituras em meio eletrônico. Passo Fundo: Ed. Universidade de Passo Fundo, 2005.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Três dicas de blogs e portais de educação
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Revistas literárias on-line
A lista de revistas eletrônicas abaixo foi organizada por Ademir Demarchi (ao lado) e retirada de seu artigo "Literatura e editoração: o perfil das revistas literárias na atualidade", apresentado em mesa-redonda durante o II Conali (Congresso Nacional de Linguagens em Interação) e entregue para publicação no livro (ainda em editoração) Linguagens em interação I - temas literários, que será lançado ainda este ano. Nessas revistas há também links para outras também interessantes. Boa leitura!Sibila - http://www.sibila.com.br/ – Editor: Régis Bonvicino.
Confraria do Vento - http://www.confrariadovento.com/ - Editores: Márcio-André, Ronaldo Ferrito e Victor Paes – 23 edições eletrônicas e uma impressa .
Critério - http://www.revista.criterio.nom.br/ – Editor: Marcelo Chagas – 9 edições.
Zunái - http://www.revistazunai.com.br/ - Editores: Cláudio Daniel – Rodrigo de Souza Leão – 15 edições (2005-8).
Germina - http://www.germinaliteratura.com.br/index1.htm - 27a edição 2008 (desde 2003).
Agulha - revista de cultura - Fortaleza-São Paulo - http://www.revista.agulha.nom.br/ – Editores: Floriano Martins e Cláudio Willer - floriano@secrel.com.br.
Web Livros - http://www.weblivros.com.br/ - Editor: Reynaldo Damazio - rdamazio@uol.com.br.
Tanto - http://www.tanto.com.br/ - Editor: Luiz Edmundo Alves - tanto@tanto.com.br.
Corsário - http://www.corsario.art.br/index.php.
Máquina do Mundo – Editor Charles Kiefer – Porto Alegre – 6 edições on line em 2005 - http://www.bestiario.com.br/maquinadomundo/especial.htm.
Bestiário – revista de contos - http://www.bestiario.com.br/26.html - inicio 2004 - 26.ª edição janeiro 2007. Editores: Roberto Schmitt-Prym, Charles Kiefer.
Revista Etc - http://www.revistaetcetera.com.br/ - início 2001 – edição 22 (atual 2008). Editor Sandro Saraiva.
Portal Literal - http://portalliteral.terra.com.br/ - 6 anos no ar. Curadoria: Heloísa Buarque de Hollanda. Atua como comunidade on line que produz e debate cultura em ambiente colaborativo conjugando ferramentas da chamada Web 2.0, permitindo aos usuários construir coletivamente seu conteúdo.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Estrutura e ferramentas do ciberespaço na literatura: Todos contra D@nte
Vale a pena ler Todos contra D@nte (Cia das Letras, 2008). Além da relevância do tema abordado - a prática de violência moral e psicológica por jovens contra seus pares em ambiente escolar (em inglês, bullying; em francês, harcèlement quotidien; em italiano, prepotenza ou bullismo; em alemão, agressionen under schülern) – o livro merece destaque pelo caráter inovador de seu projeto gráfico. Ao lado de estruturas textuais típicas do século XXI (blogs, comunidades, chats) e da linguagem utilizada pelos jovens na internet, o protagonista do texto dialoga com um escritor do século XIII, Dante Alighieri, por meio da leitura de sua Divina Comédia, livro de cabeceira de nosso “herói”, homônimo do escritor italiano. O diferencial do projeto gráfico para o livro não se revela pela presença de ilustrações e imagens, e sim pela disposição do texto. Nas páginas à esquerda, a narrativa desenrola-se a partir de links numerados, pequenas caixas de texto que se ligam às informações veiculadas nas páginas à direita, todas como caixas de diálogos, blogs ou discussões de comunidades, estruturas muito conhecidas por jovens viajantes do ciberespaço. Há ainda o Post Scriptum, “O motivo sinistro”, paratexto com o qual o autor explica as ligações da história com a realidade, e as transformações literárias por que passou. Sobre o Autor:
Alice Áurea Penteado Martha
terça-feira, 2 de junho de 2009
LITERATURA, EDUCAÇÃO & INTERNET : ALGUMAS PROVOCAÇÕES

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É claro que a crescente informatização dos serviços – sejam públicos ou privados – pode se constituir em mais um mecanismo de exclusão social. Mas este problema não é um mal essencial à informatização e muito menos à internet, e sim decorrente das desigualdades sociais. Em países e comunidades nos quais a educação e as condições dignas de existência sejam direitos garantidos a todos, tal questão não tem razão de ser. Infelizmente, não é o nosso caso.
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No quadro da informatização, a internet é a grande vedete. O acesso rápido e fácil à informação em escala mundial é sua maior virtude. Aliado a ela, mas em segundo plano, estão a economia de meios e capital assim como o binômio descentralização-democratização. Publicar ficou muito mais fácil e barato. Os altos preços das editoras ou gráficas e a reduzida circulação/distribuição das obras são limitações amplamente superadas pelas condições dadas pelo mundo virtual. Não é à toa que hoje multiplicam-se revistas eletrônicas e não as impressas, embora as últimas sejam mais valorizada no mercado.
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Por ser historicamente recente, a internet tem seu uso muito pouco regulamentado por lei. Está livre para aventureiros, empreendedores, cidadãos comuns e até doidos sonhadores... Vivemos, por isso, na sua era romântica.
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A internet vai imbecilizar os jovens e comprometer as futuras gerações. Não desenvolve o domínio sobre a língua e muito menos o senso crítico! Pior: destrói a linguagem e banaliza a arte! Besteira. Já disseram o mesmo ou coisa parecida sobre o cinema, a fotografia e a tv quando surgiram. A internet, assim como as três atrás, é canal e não mensagem... Tudo depende de como for usada, ou seja, ela é meio e não fim.
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Não parece haver limites para temas e linguagens na internet! Nela encontramos desde a pobreza monossilábica de certas gírias até a alta linguagem das artes; desde a propaganda estatal até a propaganda de grupos extremistas e clandestinos. Tantas aldeias, festas e ritos quantas tribos existirem... Inferno e paraíso... Espelho do mundo.
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Em muitos sites, o autor pode colocar seus textos diretamente, sem passar por nenhuma seleção. É só digitar e enviar. Em questão de segundos, o texto está on-line. Com isso, temos a democratização dos canais de publicação, mas, em contrapartida, também ocorre a redução do valor simbólico dos textos. Daí o “preconceito” acadêmico ainda existente com respeito à publicação, seja literária ou científica, na internet.
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Atualmente, podemos ver, em Maringá, um movimento de disseminação das lan-houses pelos bairros, sendo que o preço para o uso da internet é bastante acessível. Tais fatos demonstram que o processo de descentralização e democratização do seu uso está em franco andamento. Nós, artistas e educadores, não podemos fechar os olhos para esta realidade. Pelo contrário, devemos pensar em meios para transformar a internet em um poderoso instrumento na formação da cidadania.
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Para nós, escritores e/ou professores de literatura, a internet é um poderoso instrumento. Através dela, podemos, além de divulgar nossos textos, desenvolver oficinas de criação literária através dos fóruns. Tais mecanismos têm o mérito de não apresentar os entraves de tempo e espaço decorrentes dos meios tradicionais utilizados, em que é necessário estabelecer horários de encontros, gastar com aluguel de espaços físicos e materiais didáticos. Tais vantagens nos permitem atingirmos um público muito mais amplo, incluindo aí pessoas que não possuem tempo disponível para frequentar salas de aula. E tal prática na internet não é nova, os fóruns de criação literária e de RPG estão aí para demonstrar a viabilidade da ideia. Cabe a nós partirmos destas condições e pensarmos em estratégias didáticas para o seu uso com fins educativos.
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O caráter interativo da internet – que possibilita ao aprendiz da literatura tornar seu trabalho público para um grande número de pessoas e também trocar idéias e experiências com elas – recupera qualidades positivas de um bom processo de aprendizagem que há muito foram banidas das classes brasileiras, principalmente do ensino público, em que as condições de trabalho dos professores e os recursos didáticos disponíveis são lamentáveis.
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Para os amantes da literatura e, em especial, da poesia, a internet é um imenso oceano. O problema é não se perder, ou se afogar, com tanto mar...
Marciano Lopes e Silva

