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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O blog como ferramenta de ensino – problemas e proposições

Na maioria das vezes o que se observa é a utilização do computador como pretexto para o ensino do manuseio do equipamento, para a digitação de textos, substituindo assim a máquina de escrever, e a utilização de programas de apresentação de slides. Atividades que nas palavras de Coscarelli “podem transformar o computador em um lindo quadro que não é mais de giz nem é negro, mas que vai funcionar em sala de aula da mesma forma que as tão conhecidas lousas, que servem de suporte para o professor apresentar todo o saber” (2007: 26). (GUIMARÃES, 2008, p. 715).


Podemos concluir que os professores se utilizam das tecnologias disponíveis, e no escopo deste trabalho o computador e a internet, apenas para suas necessidades básicas. O computador é utilizado para a reprodução de materiais, uma junção de mimeógrafo e máquina de escrever. A internet é utilizada para obtenção de informação geral e “elaboração” de materiais. Impera entre os professores a visão da internet como a virtualização da enciclopédia, sem qualquer vinculação com a possibilidade de seu uso para o aperfeiçoamento profissional.
O que se percebe no diálogo com os professores é que embora reconheçam as varias possibilidades apresentadas pela internet no campo dos estudos literários, eles não vêem essas possibilidades como algo passível de realização. (GUIMARÃES, 2008, p. 718).


A aquisição da informação, dos dados, dependerá cada vez menos do professor. As tecnologias podem trazer hoje dados, imagens, resumos de forma rápida e atraente. O papel do professor – o papel principal – é ajudar o aluno a interpretar esses dados, a relacioná-los, a contextualizá-los. Dessa forma, o papel do professor passará para o de orientador e facilitador do conhecimento. (MORAN, 2007)


As utilizações potenciais dos blogs como recurso e como estratégia pedagógica são muito diversificadas e sobre elas faremos de seguida algumas considerações. Embora a distinção entre os blogs enquanto “recurso pedagógico” e os blogs enquanto “estratégia pedagógica” nem sempre seja clara e, frequentemente, seja de natureza algo arbitrária, vamos adoptá-la para efeitos de sistematização da nossa exposição. Enquanto recurso pedagógico os blogs podem ser:
.....a) Um espaço de acesso a informação especializada.
.....b) Um espaço de disponibilização de informação por parte do professor.
Enquanto “estratégia pedagógica” os blogs podem assumir a forma de:
.....a) Um portfólio digital.
.....b) Um espaço de intercâmbio e colaboração.
.....c) Um espaço de debate – role playing.
.....d) Um espaço de integração.
(GOMES, 2005, p. 312-313)


A utilização do Blog como ferramenta pedagógica [Oficina do Blog 2006] pode trazer diversos benefícios no processo de ensino-aprendizagem. Dentre os benefícios podem ser citados: a motivação (acompanhar a atualização da página todos os dias para ver se existem novidades), o trabalho em equipe (grupos trabalhando juntos para a elaboração de um Blog comum), o incentivo à pesquisa (a busca de conteúdos (novas informações, textos) em outras fontes para enriquecer o Blog), o desenvolvimento da criatividade (personalização do Blog: com links, ilustrações, etc.), a sensação de competitividade (os endereços dos Blogs de todos os grupos da turma ficam disponíveis), dentre outros.
Como um método de aprendizagem, o Blog ainda é considerado uma novidade na prática de ensino, porém aos poucos está ganhando espaço por ser uma técnica gratuita, de simples utilização e grande atrativo para o público infanto-juvenil. É um método classificado como simples pelo fato de que o usuário não precisa saber alguma linguagem de programação para criar seu próprio Blog, portanto os professores que ministram quaisquer disciplinas da grade curricular da escola podem facilmente manuseá-lo e, assim, preparar algumas aulas diferenciadas para apresentar seus conteúdos. Além disso, pode ser um novo canal de comunicação para a educação, incentivando o convívio e a aprendizagem de novas tecnologias. (BRUSAMARELO et alli., 2006, p. 347)


VEJA NESTE BLOG:

O uso de blogs no ensino de literatura e redação
9 Set 2009
O ciberespaço com sua organização em rede, que permite os enlaces intra e extratextuais que caracterizam o hipertexto, potencializa o desejo de um ensino interativo e dialógico capaz ...

Duas experiências com blogs no ensino de literatura brasileira
14 Set 2009


O trabalho com blogs feitos coletivamente pelos alunos ou em conjunto com o professor pode ser uma experiência muito gratificante. Para colocar em prática as leituras e reflexões que venho fazendo, faz duas semanas que iniciei com os ...


REFERÊNCIAS

BRUSAMARELO et al. A Utilização do Blog como Ferramenta de Ensino-Aprendizagem para o Ensino Médio na Escola Estadual Major Otávio Pitaluga. In: Anais do XXVI Congresso da SBC. Campo Grande/MS, 2006, p. 345–348. Disponível em: http://www.br-ie.org/pub/index.php/wie/article/viewFile/920/906 - acesso em 8/9/2010.

COSCARELLI, Carla V. Alfabetização e letramento digital. COSCARELLI, Carla V. e RIBEIRO, Ana E. (org). Letramento digital: aspectos sociais e possibilidades pedagógicas. 2. ed. Belo Horizonte: CEALE; Autêntica, 2007. p. 25-40.

GOMES, M. J. Blogs: um recurso e uma estratégia pedagógica. In: VII Simpósio Internacional de Informática Educativa. Leiria/Portugal, Novembro, 2005. Disponível em: https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/4499/1/Blogs-final.pdf. - Acesso em 10 de agosto de 2009.

GOMES, Maria João; LOPES, António Marcelino. Blogues escolares: quando, como e por quê? Disponível em:
https://repositorium.sdum.uminho.pt/bitstream/1822/6487/1/gomes2007.pdf. - Acesso em 10 de agosto de 2009.

GUIMARÃES, José Ferreira. Internet e ensino de literatura: o que pensam os professores? In: II Conali. Anais. Maringá/PR:UEM. 2008. p. 714-719. (CD-Room)

MORAN, José M. Modificar a forma de ensinar. In: A educação que desejamos: Novos desafios e como chegar lá. São Paulo: Papirus, 2007. p. 30-32.

Cibercultura e Formação de Professores

Todos aqueles que estão familiarizados com a dinâmica da educação sabem, há um bom tempo, que os professores não são a sede de um saber inequívoco que deve ser passado a uma passiva sala repleta de alunos que receberiam o conhecimento como um saco vazio à espera de quem o preencha. O processo de ensino-aprendizagem é dinâmico e se traduz em uma via de mão dupla na qual tanto o educador quanto o educando desempenham papéis importantes e ativos. Embora esse discurso seja extremamente familiar, ainda encontramos educadores que demonstram resistência diante desse processo de descentralização valorativa que reconhece os atores da educação em termos que, embora possam ser distintos, atualizam-se na mesma importância e relevância.

No caso das demandas realmente atuais, tal cenário potencialmente complicado é ainda mais evidente, uma vez que a natureza do ciberespaço e da cibercultura descentraliza ainda mais, em termos tanto valorativos quanto informacionais, todo o contexto da educação. O que considerar hoje como informação válida ou referendada? Como determinar o limite entre a busca de fontes e o plágio? Em que medida a internet atua como inimiga ou aliada do professor no momento em que este se depara com um aluno completamente acostumado a uma busca e disseminação de informações em tempo real e em constante atualização? Essas são questões que nos assaltam por vezes e, no caso de professores formadores de leitores e escritores (ainda que sem a conotação estritamente “artística” do termo), algumas outras ainda podem surgir, tais como: qual o espaço que restou à literatura tradicional no contexto cibercultural? O ato de leitura e o ato de escrita estão se perdendo ou se transformando? O pode e o que deve fazer o professor diante desse quadro ainda repleto de incertezas? Essas são algumas outras questões que podem surgir, mas definitivamente não são as únicas.

Para buscar respondê-las ou ao menos problematizá-las, em um terceiro momento de nosso curso, partamos novamente de alguns trechos de obras que tocam o tema e que nos ajudarão em nossa discussão.

Sobre a virtualização do texto e da leitura:

Pode-se dizer que um ato de leitura é uma atualização das significações de um texto, atualização e não realização, já que a interpretação comporta uma parte não eliminável de criação. A hipercontextualização é o movimento inverso da leitura, no sentido em que produz, a partir de um texto inicial, uma reserva textual e instrumentos de composição graças aos quais um navegador poderá projetar uma quantidade de outros textos. O texto é transformado em problemática textual. Porém, mais uma vez, só há problemática se considerarmos acoplamentos humanos-máquinas e não processos informáticos apenas. Então se pode falar de virtualização e não mais apenas de potencialização. De fato, o hipertexto não se deduz logicamente do texto fonte. Ele resulta de uma série de decisões: regulagem do tamanho dos nós ou dos módulos elementares, agenciamento das conexões, estrutura da interface da navegação, etc. No caso de uma hipercontextualização automática, essas escolhas (a invenção desse hipertexto particular) vão intervir ao nível da concepção e da seleção do programa. (LÉVY, 2001, p. 41-2)


Sobre a relação do texto com o computador:

Considerar o computador apenas como um instrumento a mais para produzir textos, sons ou imagens sobre suporte fixo (papel, película, fita magnética) equivale a negar sua fecundidade propriamente cultural, ou seja, o aparecimento de novos gêneros ligados à interatividade. […] O computador é, portanto, antes de tudo um operador de potencialização da informação. (LÉVY, 2001, p. 41)

Sobre o hipertexto:

Um hipertexto é uma matriz de textos potenciais, sendo que alguns deles vão se realizar sob o efeito da interação com um usuário. Nenhuma diferença se introduz entre um texto possível da combinatória e um texto real que será lido na tela. […] O virtual só eclode com a entrada da subjetividade humana no circuito, quando num mesmo movimento surgem a indeterminação do sentido e a propensão do texto a significar, tensão que uma atualização, ou seja, uma interpretação, resolverá na leitura. (LÉVY, 2001, p. 40)

Sobre a atuação do professor e os recursos tecnológicos:

Infelizmente, uma parte dos educadores adota uma certa tecnologia apenas num dado momento de sua carreira: a televisão, o rádio, o retroprojetor, o projetor de slides e, mais recentemente, o computador, recursos que acabam sendo “parafernálias eletrônicas” que o professor utiliza apenas para não ser considerado “quadrado”, ou para ter maior segurança, ou para obter status perante seus colegas. E a outra parte lamenta-se por não ter em sua escola tecnologias disponíveis: “eu quero me atualizar, mas não me dão condições…”. Notamos que, na maioria dos casos em que esses equipamentos são adquiridos, acabam sendo jogados em um depósito, onde, por fim, deterioram-se. Frequentemente, lamenta-se pela sorte dessa aparelhagem eletrônica “tão generosamente cedida pelo Estado” ou “adquirida com tantos sacrifícios pelas Associações de Pais e Mestres”. Fala-se em desperdício, mas raramente se pergunta o porquê desse destino.

Grande parte da má utilização das tecnologias educacionais, ao nosso ver, deve-se ao fato de muitos professores ainda estarem presos à preocupação com equipamentos e materiais em detrimento de suas implicações na aprendizagem. De um lado, as inovações – referentes a novos métodos de ensino ou ao emprego da televisão, de slides, de vídeo e, agora, do computador – têm esse apelo de deslumbramento; de outro, elas não são integradas facilmente ao cotidiano escolar. (BRITO & PURIFICAÇÃO, 2008, p. 40-1)


Referências

BRITO, G.; PURIFICAÇÃO, I. Educação e novas tecnologias: um repensar. Curitiba: Ipbex, 2008.

LÉVY, P. O que é o virtual? Tradução Paulo Neves. São Paulo: 34, 2001.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Resumo do Projeto "Literatura, leitura e escrita no ciberespaço"

O trabalho com os multimidia, com toda sua gama de significados e alcance, não pode ser considerado um fim, mas deve ser visto como um recurso, um meio que atua na formação de leitores, tanto em ambiente escolarizado como nos diversos segmentos da sociedade. Deste modo, o projeto Literatura, leitura e escrita no ciberespaço procura conhecer e estudar os diferentes tipos de textos e maneiras de se ler e escrever nesse espaço resultante da interconexão mundial de computadores via internet. Em outras palavras, procura-se abrir novas frentes de pesquisa no campo da produção e da leitura do texto literário, bem como de outras práticas de escrita, de modo a se compreender, por um lado, como elas são condicionadas por esse meio e, por outro, como a sua utilização poderá contribuir para melhorar a educação e, por conseguinte, formar cidadãos mais críticos e participantes.