Ferramentas do ciberespaço despertam profundo interesse entre os jovens e muita insegurança entre o público mais maduro, notadamente entre professores, que reconhecem a importância delas, mas não as dominam suficientemente para levá-las para a sala de aula. Por essa razão, o tema deste módulo do Curso trata do conceito de mediação e de função do blog como suporte mediador de atividades de leitura e escrita em ambiente escolar. O conteúdo é relevante para o estabelecimento de proposta metodológica e deve oferecer subsídios para planejamento e implementação de blogs como ambiente de mediação entre leitores e textos gêneros diversos, a partir da criação de Oficinas de Leitura e Escrita em Blogs.
Tópicos para a leitura:
1- A Dimensão socioespacal do ciberespaço: uma nota
Carlos Alberto F. da Silva; Michele Tancman
Para que se possa ter acesso à via expressa de informação, é necessário que sejam estabelecidas as “condições ambientais” do ciberespaço. O ambiente construído é a expressão material que permite conexão com um novo sistema de relações sociais. Tais condições só são possíveis a partir de um arranjo espacial que inclui o computador, monitor, teclado, mouse, linha telefônica, provedor de acesso, redes telemáticas e outros meios eletrônicos capazes de nos conectar com o ciberespaço. Estas formas estáticas, aos quais estamos fisicamente ligados, nos transportam, através da virtualidade, para um mundo onde prevalecem as nossas sensações. A experiência de tempo e espaço não existe “nas coisas visíveis do ciberespaço”, mas sim aparecem somente na zona do subjetivo. Desse modo, o ciberespaço é uma veleidade, no sentido de abrir alguma possibilidade de enfoque idealista da materialidade social da sociedade moderna.
Para que possamos prosseguir se faz necessário esclarecer o que entendemos por “realidade virtual”. Trata-se, claramente de uma revolução. Uma alteração radical na forma de conceber o tempo e o espaço, e mesmo os relacionamentos. Segundo Pierre Levy (1996, p.16),” o virtual não se opõe ao real e sua efetivação material, mas sim ao atual”. Filosoficamente, o virtual é entendido como o que existe em potência e não em ato. O virtual é extensão do real, ou seja, é um real latente. As imagens virtuais fazem mediação da realidade. O tempo instantâneo e espaço virtual são os novos vetores que se inserem e se articulam ao ambiente construído pela sociedade em rede telemática.
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2- Blogs na Educação: Blogando algumas possibilidades pedagógicas
Adriana Ferreira Boeira
[...] cabe ao professor apropriar-se das novas tecnologias de informação e comunicação (NTics) refletindo sobre suas possibilidades, propondo atividades e estratégias diferenciadas ao utilizar os blogs. Os blogs estão sendo explorados por alunos e professores e a cada dia surgem formas diferentes de utilizá-lo: podem ser utilizados como um recurso pedagógico ou como uma estratégia pedagógica.
Gomes e Lopes (2007, p. 121) apresentam uma representação esquemática da exploração dos blogs como recurso ou como estratégia pedagógica.
[ gráfico]
O que diferencia o blog utilizado como um recurso pedagógico do blog utilizado como uma estratégia pedagógica são as atividades e estratégias propostas no ambiente e o papel assumido pelo professor e pelos alunos.
Ressalta-se que as estratégias e atividades propostas pelos professores, independente do ambiente (sala de aula, laboratório de informática ou ambiente virtual de aprendizagem) e ou recursos que utiliza (giz, livro, computador...) vão depender da Epistemologia, da sua concepção de aprendizagem, conhecimento e aluno, que apóia sua prática.
A utilização de blogs como recurso ocorre quando é utilizado como um depósito de informações, onde os alunos assumem um papel receptivo e o professor ativo, disponibilizando links, materiais de aula e conteúdos selecionados que devem ser consultados pelos alunos na sua disciplina. Nesta perspectiva o professor assume posição mais diretiva, onde impõe os conteúdos e fontes de pesquisa e o aluno assume um papel de mero receptor de informações.
Do mesmo modo, existem blogs utilizados na educação que vão além da exposição de conteúdos e indicação de links e conteúdos. São os blogs que abrem espaço para os comentários e exposições de idéias dos alunos. Desta forma, os alunos podem refletir sobre os conteúdos estudados e links acessados e a partir daí, comentar no blog sua reflexão, opinião, entendimento, dúvidas e sugestões sobre o assunto tratado tendo como finalidade possibilitar uma troca de opiniões sobre determinado assunto.
3- Blogues escolares: quando, como e porquê?
Maria João Gomes; António Marcelino Lopes
No que se refere à utilização dos blogues como recurso pedagógico, podemos destacar essencialmente dois tipos de abordagem. Uma das abordagens consiste na utilização de blogues “alheios “à escola, muitas vezes até alheios ao contexto escolar em geral, mas que o professor considera como fonte de informação e, eventualmente de contactos, relevante no contexto das disciplinas/áreas disciplinares que lecciona. Frequentemente, são blogues desenvolvidos a título pessoal, por profissionais credíveis, que podem proporcionar uma boa fonte de informação actualizada e rigorosa. Estes blogues podem ser indicados aos alunos, ou linkados a partir, por exemplo da página institucional da escola ou de um blogue do professor e/ou da turma.
Um dos problemas da utilização de blogues não institucionais como recurso pedagógico, fonte de informação e/ou de contactos relevantes, para os alunos, é o facto de exigirem uma prévia e cuidadosa análise do seu rigor e credibilidade por parte do professor. Esta tarefa nem sempre é fácil, dado ser muito frequente uma quase ausência de informação sobre o perfil dos autores de blogues, que possam assegurar a qualidade e rigor da informação que disponibilizam.
Uma outra exploração dos blogues enquanto recurso pedagógico, consiste na criação e dinamização pelo próprio professor ou grupo de professores de um blogue centrado na abordagem de conteúdos relacionados com a área que lecciona. Frequentemente, este tipo de blogues, procura disponibilizar informação que acompanha a sequência de assuntos tratados nas aulas e/ou identifique e referencie notícias e acontecimentos recentes que apresenta relações com temáticas curriculares .
A utilização dos blogues apenas como um ”recurso pedagógico” centra-se essencialmente na possibilidade de proporcionar aos alunos formas adicionais de acesso à informação que se pressupõe actualizada e relevante. Neste tipo de exploração o aluno assume uma posição relativamente passiva, limitando-se frequentemente à leitura dos posts, eventualmente colocando algum comentário às mensagens/posts já existentes.
Uma outra abordagem, em termos de exploração pedagógica, dos blogues, está centrada não tanto na criação de condições de acesso a informação actual disponibilizada pelo professor ou por sujeitos e/ou entidades que o professor reconhece como credível, mas sim em torno das actividades que o aluno precisa de desenvolver no âmbito da actividade de bloguer. Neste contexto, o aluno desempenha frequentemente um papel de autor ou co-autor dos blogues, existindo todo um leque diversificado de actividades a desenvolver, antecedendo a publicação de mensagens (postagem), às quais estão associadas objectivos de aprendizagem e desenvolvimento de competências. A exploração dos blogues dentro desta perspectiva, transforma-os, mais do que num recurso pedagógico, numa estratégia de ensino-aprendizagem, que visa conduzir os alunos a actividades de pesquisa, selecção, análise, síntese e publicação de informação, com todas as potencialidades educacionais implicadas. Na figura 4 procura representar-se de forma esquemática os principais tipos de explorações pedagógicas dos blogues, quer perspectivando-os essencialmente como “recurso” a disponibilizar aos alunos, quer como “estratégia pedagógica”, funcionando como suporte e interface tecnológico para diversas actividades de aprendizagem.
4- “Problemas associadas à utilização dos weblogs no ensino”. In: Os weblogs e a sua apropriação por parte dos jovens universitários. O caso do curso de Ciências da Comunicação da Universidade do Algarve.
Neuza Baltazar; Joana Germano
Quando pensamos em todas a potencialidades que os weblogs têm quando aplicados ao ensino, parece-nos óbvio que esta ferramenta tem todas as características para melhorar o ensino a vários níveis. Se pensarmos no grande interesse e curiosidade que a maioria dos jovens sente face às novas tecnologias e aos novos media, parece-nos óbvio que o seu interesse pelos weblogs os fará envolverem-se num blog criado por um professor como espaço de continuidade de uma disciplina. No entanto, não é assim tão simples e o envolvimento dos alunos nem sempre corresponde ao que o professor desejaria.
É um facto que os mais jovens se sentem muito atraídos e motivados pela Internet, pelos videojogos e pela maioria dos recursos tecnológicos que nos rodeiam, todavia nem sempre é fácil motivá-los para utilizar os recursos tecnológicos como complemento das aulas.
De acordo com um estudo realizado por Silva (2005), a grande maioria dos utilizadores de blogs em Portugal encontra-se entre os 18 e os 40 anos de idade, sendo que a distribuição de bloggers tanto na faixa etária de 18 a 24 e de 25 a 29 é de 18,2%. No entanto é preciso ter em consideração que este estudo realizado por Silva apenas abrangeu pessoas entre os 18 e os 64 anos de idade, pelo que não temos dados sobre o interesse que os jovens com menos de 18 anos sentem pelos weblogs.
[...].
Todavia, parece que os mais jovens fazem uma clara distinção entre divertimento e tempos livres e a escola, que é sempre associada a obrigatoriedade. Desta forma, nem sempre é fácil convencer os alunos a escrever e a participar num blog desenvolvido no âmbito de uma disciplina. Acreditamos que tal se deve a variados factores, como por exemplo, a ideia de que a escola é uma obrigatoriedade e que essa mesma deve terminar quando se sai pela porta da sala de aula; a ideia de que o blog da disciplina pertence ao professor e não a todos e cada um dos elementos da turma; escrever num blog que vai ser lido pelo professor e pelos colegas significa algum tipo de avaliação, pelo que é necessário saber sobre o que escrever e ter cuidado com a forma como se escreve; para escrever com alguma qualidade é preciso conhecer determinado assunto, pesquisar, reflectir e redigir e, para além de tudo isto, é preciso dispor de algum tempo para participar.